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Dança de moçambique no Revelando São Paulo - Foto: Divulgação

Dança de moçambique no Revelando São Paulo – Foto: Divulgação

Começa hoje (13/9) na capital paulista a 17ª edição do Revelando São Paulo, festival da cultura interiorana do Estado mais rico do Brasil. Pelos próximos dez dias, o Parque do Trote, na Vila Guilherme, zona norte, reúne uma série de apresentações que mostram a diversidade da produção artística pouco conhecida pelos brasileiros, e até pelos paulistanos. Se na música se fala muito do rap, do funk, da vanguarda paulistana*, do pagode, da geração indie, pouco é dito sobre o Samba de Roda de Pirapora, o Maracatu Baque do Vale, a Comunidade Indígena Kariboka ou o Rancho Folclórico Santa Marta dos Navegantes. E haverá mais, muito mais.

A apresentação acima é parte da tradição do samba paulista, uma história pouco conhecida. No século 18, romeiros participavam das procissões e visitas ao local da descoberta da imagem de Bom Jesus nas águas do rio Tietê, na cidade de Pirapora. Esses encontros invariavelmente terminavam em batucadas, ritmadas por caixas, chocalhos, pandeiros, cuícas e o bumbo. O escritor Mário de Andrade, em suas andanças atrás do folclore, descobriu o samba de Pirapora. A música acabou por influenciar esse ritmo na capital, até a primeira fase dos cordões, nos anos 1950.

O Revelando São Paulo é, na verdade, uma confluência de manifestações culturais que entrelaçam música, dança, folclore, artesanato, culinária, produzidas em 200 municípios de São Paulo. Não espere encontrar ali um Festival de Rodeio de Barreto, no qual famosos sertanejos pop invadem a arena dos bois e tocam para uma multidão de agroboys. O Revelando São Paulo é um programa, digamos, mais família. Haverá até os Contadores de Histórias com “causos” que nas cidades pequenas ainda fazem adormecer os pequenos.

É o lugar perfeito para quem quer rever ou conhecer uma congada, uma belíssima manifestação cultural e religiosa de influência africana muito comum em diversas cidades do Vale do Paraíba – mas não só, claro. Vai ter também apresentações de reisado, viola caipira, quadrilha, danças indígenas e ciganas, grupos de catira, afoxés e maracatus. Tudo muito simples, como é o espírito do interior de São Paulo.

Dança da catira - Foto: Reinaldo Meneguim/RSP/Divulgação

Dança do sapateado e palmeado – Foto: Reinaldo Meneguim/RSP/Divulgação

Paulistas e paulistanos têm a oportunidade de ver cortejos de bonecões, dos grupos de folias de reis, de tropeiros dos quatro cantos do estado e dos grupos de congos e moçambiques, porque a festa começa já nas redondezas da arena do Parque do Trote. É, certamente, uma oportunidade única para conhecer o (ainda desconhecido) folclore paulista em um único evento.

O projeto Revelando São Paulo, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e sob responsabilidade da organização social Abaçaí Cultura e Arte, é fruto dos estudos de Toninho Macedo, que pesquisa as tradições das comunidades ribeirinhas, das áreas rurais, das cidades pequenas e médias, vilas e vilarejos, e também do litoral paulista. O primeiro festival aconteceu em 1997 e desde 2000 ganhou edições regionais – neste ano, comemora-se a marca de 50 edições.

* Nunca é demais reverenciar nomes desse importante movimento que invadiu a cena de São Paulo entre 1979 e 1985: Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, Eliete Negreiros, grupos Rumo, Premeditando o Breque e Língua de Trapo, Suzana Salles, Vânia Bastos e Ná Ozzetti
Editor de FAROFAFÁ, jornalista e mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo.
  1. Antonio C. Responder

    Coragem, coxinhas! Não tem Mississippi, nem Bourbon Street ou “another blues poser”. Vamos de violeiros que a coisa é boa!!!

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