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Wilco, da tempestade à bonança no JazzFest

Show que corria como uma boa pilsen teve de ser interrompido por causa do mau tempo, que logo passou, relata o enviado especial a New Orleans, Jotabê Medeiros

NAWLINS 068

No ressurgimento da banda Wilco, Jeff Tweedy aparece mais gordinho e mais rock’n’roll – Fotos: Jotabê Medeiros

Jeff Tweedy apareceu mais gordinho, menos carrancudo e mais curtido em rock`n`roll. A banda Wilco, que se tornou em duas décadas uma das expressões do custo e das delicias da independência, ressurgiu em New Orleans na tarde de sexta-feira (24) como um prenúncio de vida nova. Uma tempestade de raios, contudo, encurtou o show – após as guitarras terem o som cortado em jams tétricas por um balé de relâmpagos e calafrios.

Wilco comemora justamente 20 anos de estrada. Tweedy, de chapéu de caubói, vive vida dupla ultimamente, com turnê e disco solo. Ele cantou de cara “Ashes of American Flags”, do disco “Yankee Hotel Foxtrot”, de 2002, um hino do grupo. Alternando um som pesado, como em “Bull Black Nova”, e lirismo, como em “I Am Trying to Break Your Heart eKamera”, o show corria como uma boa pilsen, e Tweedy estava com a guarda baixada – ele tem um lado meio sombrio que às vezes domina o negócio.

Mas tinha até uma garota do lado esquerdo do palco fazendo a leitura das canções para surdos-mudos – ela era engraçada, dançava conforme a letra.

Nels Cline, o guitarrista do Wilco, experimenta uma fase de maturidade absoluta – seus solos são espiralados, com alguma contundência, mas sem violência, sem dureza. Versátil e inteligente, consegue ser abstrato e emprestar lirismo ao mesmo tempo ao canto de espasmos de Tweedy, uma dupla admirável do rock alternativo. “Handshake Drugs” permitiu uma suave interação entre os músicos, enquanto os pingos de chuva grossos já molhavam sua audiência.

“Airline to Heaven”, de Billy Bragg, foi a senha para o Wilco sair do palco do JazzFest, um dos maiores festivais de música da atualidade. As microfonias e os raios cortavam o céu e o público já fugia para se abrigar ou sair do hipódromo que abriga o festival. Tweedy não chegaria a “Misunderstood”, um dos seus hits (se se pode dizer algo assim de uma canção do Wilco) globalizados.

Keith Urban, em atitude roqueira, relutou em sair do palco, mesmo em meio ao temporal se aproximando

Keith Urban, em atitude roqueira, relutou em sair do palco, mesmo em meio ao temporal se aproximando

Foi engraçado, porque enquanto o Wilco se retirava e o locutor informava que não seria possível continuar por causa do perigo dos equipamentos elétricos, o cantor Keith Urban resistia no palco principal e recusava-se a encerrar o show. Acabou cedendo apos cantar na chuva por um tempo. A produção fechou tudo, desligou inclusive os computadores, e o público pegou o caminho de casa sob chuva. Há um pânico encubado em New Orleans por causa do Katrina, e não deixa de ser compreensível. No final, não durou nem uma hora e o sol voltou a brilhar em Fairgrounds.

* O repórter viajou a convite do New Orleans Convention & Visitors Bureau, da American Airlines e da organização do festival

Publicado originalmente em El Pájaro que Come Piedra

  1. Francesco Sinibaldi Responder

    Comme la douceur.

    Dans un son
    mystérieux je
    sens le sourire
    d’un matin
    fugitif, le chant
    du soleil et
    la voix délicate
    d’une feuille très
    heureuse.

    Francesco Sinibaldi

  2. Francesco Sinibaldi Responder

    Naturaleza.

    El gorrión
    suavemente canta
    donando un
    suspiro y un
    ligero candor:
    veo la tristeza
    en el prado
    mojado y en
    el llanto del
    sol.

    Francesco Sinibaldi

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