logo

Professor do Paraná conta por que foi baleado no olho

Márcio Henrique dos Santos é uma das vítimas do massacre da Tropa de Choque da PM

Professor Márcio Henrique dos Santos - Fotos: Facebook

Professor Márcio Henrique dos Santos – Fotos: Facebook

De repente senti a pancada. Me abaixei, coloquei a mão no olho e o sangue jorrou. Fiquei meio atordoado nessa hora. Pedi ajuda e saímos correndo. Nós, professores deste país, devemos lutar pelos nossos direitos. Eu não dei a cara para bater, dei o olho. Mas prefiro perder o olho lutando do que ficar em casa vendo meus amigos de profissão apanhando, levando tiro e sofrendo com a ação da polícia, que também é explorada pelo governo.

Saí do hospital muito revoltado. Eu não estava atacando pedras, só tinha uma câmera na mão. Se não tivessem maldade, deviam ter atirado nas pernas. Por que mirar na direção da cabeça? Quando voltei a encontrá-los, disse para os policiais: se eles são covardes e não têm capacidade de lutar pelo que é direito deles, nós lutamos e era só por isso que estávamos lá hoje. Foi uma guerra. O efetivo policial era muito grande e o uso da força, desproporcional.

Esse 29 de abril não era para ser normal. Era o dia da votação do projeto de confiscar R$ 8 bilhões e dissolver esse dinheiro para cobrir os rombos do Estado. A nossa intenção foi fazer a mobilização, mas de maneira pacífica. Somos professores. Estávamos acampados na Praça Nossa Senhora de Salete. Desde anteontem, a polícia já vinha causando desconforto. Eles mexiam nas barracas e guincharam um carro de som. Na noite antes da votação, foi uma guerra psicológica. Eles faziam muito barulho. Estavam tocando o terror com a Tropa de Choque.

Dormi no acampamento. Os professores fazem isso com frequência, nas greves do Paraná. Eles acampam na praça que fica entre os Três Poderes, o Palácio Iguaçu, a Assembleia Legislativa e o Judiciário, um pouco mais para baixo. Quando acordamos de manhã, já havia muita movimentação da Tropa de Choque. Percebi também que havia policiais ainda em fase de formação, despreparados. O efetivo muito grande impressionava. O governador mobilizou policiais do Estado todo para estarem na capital. Tem muitas cidades do interior que estão com a segurança comprometida por esse deslocamento do contingente policial.

Eu estava junto do pessoal, ali na multidão, próximo à grade, de frente para os policiais. Vi um pessoal provocando, mas eu estava só filmando e fotografando. Quem me conhece, sabe que fico fazendo isso. De repente, o caminhão de som anunciou que a reunião estava em andamento, mas que o governador Beto Richa estava irredutível. O pessoal se exaltou, alguns puxaram a grade. Logo começaram as pancadas com cassetetes, as bombas de efeito moral, o gás lacrimogêneo.

O povo foi recuando, recuando e os policiais foram chegando e fechando o cerco. Aí entrou a Tropa de Choque. E aquele caminhão, o Caveirão, foi descendo. A intensidade das bombas e do gás foi aumentando. Os professores se dispersaram. Eu fiquei um pouco desorientado, mas continuei filmando. No fim, desci em um estacionamento, na lateral próxima do carro de som. Acho que me tornei um alvo fácil, porque parei para tirar fotos naquele local.

Não sei de onde partiu o tiro que me atingiu. Fui pego de surpresa. O tiro acertou também a mão que usava para filmar. Não sei se o tiro veio primeiro na minha mão e acertou o meu rosto depois. Foi tudo muito rápido. Se não estivesse de óculos, aqueles de construção que uso para me proteger, talvez tivesse perdido a visão. O pessoal que me socorreu levou lá para baixo, na Prefeitura. Fizeram um pronto-socorro improvisado. Depois me levaram numa viatura da Guarda Municipal para o Hospital Cajuru. Havia outros feridos por lá.

Minha preocupação é que não enxergava nada. O sangue só escorria. Fiz os exames, e com muito sacrifício consegui abrir os olhos e voltar a enxergar.

ProfMarcioHenrique2 - FacebookSó com a quantidade de gás lacrimogêneo que jogaram, e foi muito, não há Cristo que fique por perto. Nós éramos professores, alguns de nossos colegas são de mais idade. Esse grupo se afastou, uns poucos ficaram revidando e outros aproveitam para tirar fotos e filmar.

Sou professor de Geografia em Londrina, temporário, os chamados PSS. Mas com essa política do Beto Richa de cortar um monte de coisas das escolas, neste ano não consegui pegar aula, assim como muitos colegas. Ele amontoou de 40 a 50 alunos nas salas, simplesmente para dar uma enxugada. A maior parte dos colégios está com salas lotadas.

O governador tomou medidas contra a educação, como o corte de postos de escola. Está faltando merenda, não tem funcionário para limpar a escola, estão demitindo professores, banindo cursos de línguas, e reduzindo o porte das escolas – as que restaram estão saturadas. A categoria estava lutando para não ser aprovado o projeto de mudanças na Paraná Previdência. Infelizmente, a sociedade não está atenta ou a par do que realmente acontece. Tem gente que vê professores se manifestando e acha que é só por salário. Nossa luta envolve muitas outras questões, a começar pela nossa dignidade.

Quando a gente vê essas questões que envolvem os professores, acabamos nos sentindo como se fôssemos inimigos da sociedade. Há uma hipocrisia muito grande. Muitos dizem que se não valorizar a educação, o país não vai para frente. É um discurso muito bonito. Mas na prática isso não existe por parte da sociedade. Se queremos melhorar o Brasil, então temos que lutar por algo. Não é só simplesmente ficar falando. Temos que tentar reverter algumas mazelas que alguns governantes nos impõem devido aos seus projetos de poder.

O Estado do Paraná está falido. Nos quatro anos em que governou, Richa jogava a culpa no Roberto Requião ou no governo federal. Agora não tem mais como jogar a culpa no governador anterior, porque ele foi o último. Mas esse governo fez uma grande amarração política, com o Legislativo e o Judiciário. Você não consegue lutar contra. Se faz greve, a Justiça decreta a paralisação como ilegal. Não é possível ter um projeto decente para a educação, porque os deputados já estão visando o acordo político com o governador.

A gente se sente humilhado. Como pode um Estado rico, de uma gestão para outra, que envolve o mesmo gestor, se encontrar numa situação calamitosa? É revoltante ver como está a nossa educação. Por isso vamos continuar lutando.

Perdemos uma batalha, mas não a guerra.

ProfMarcioHenrique3 - YouTube

* Márcio Henrique dos Santos, 34 anos, é professor temporário desempregado de Geografia em Londrina. A Associação de Professores do Paraná levou os feridos para um hotel a fim de protegê-los. Ele deu esse depoimento a Eduardo Nunomura

 

  1. Joaquim Rodrigues Júnior Responder

    As Polícias Militares são bastante eficientes para atirar em professores desarmados, Agora quando é para encarar bandido da pesada afinam. Por que não entram nas comunidades ocupadas pelo tráfico em todo o país e com toda essa coragem fazem uma limpa? Explico: MEDO. Lá os caras têm fuzil, pistolas automáticas e até granadas, os professores têm lápis, livros e conhecimento. Bem diferente,

    • Rockfeller Responder

      Concordo, cidadão. Se a parada tá tão difícil é porque a vitória será muito valiosa para sociedade.

    • Smith Responder

      O uso da força foi desproporcional por parte da polícia, que precisa rever a postura com relação a manifestações e grandes eventos, mas isso não te da o direito de desmerecer os policiais, que revidaram ao tumulto provocado pelos professores. Ambos estão errados.

  2. irioereda junior Responder

    ¨”tudo que tirarem dos professores, estarão tirando das próximas gerações.””” D.Massi

  3. Antonio Responder

    Desde a época da Ditadura cometem o mesmo erro. Querem enfrentar um inimigo armado, protegidfo,com carros blindados, armas , gas de pimenta, balas de borracha.

    Tenha paciencia , Qualquer um sabe a diferença entre pedras e armas ..

    • palomino Responder

      Nossa, Antônio, que pena que você não disse isso antes às pessoas que estão lá, lutando! Elas realmente não devem ter percebido a força desproporcional do seu adversário. Além dessa brilhante análise, você teria alguma sugestão a fazer? Como se enfrenta um inimigo muito maior, mais bem armado, mais poderoso, mais forte? Sem platitudes, por favor. Diga algo construtivo.

  4. elizabeth frança da paixao Responder

    Senhores representantes do nosso país, por favor, pelo amor de um ser superior aos cargos políticos, aos demandos, das retiradas dos cofres públicos, de tudo que estamos presenciando no nosso país, não permitam que homens e mulheres que lutam pelos seus direitos, sejam desmoralizados em praças públicas, são nossos mestres, e serão sempre, pois são devido à esses pobres coitados, que “os grandes homens e mulheres” que hoje representam o nosso país, que hoje detém o poder, teve um começo. ALFABETIZADOS QUE FORAM, PELOS MAIS SIMPLES MESTRES. O PROFESSOR. Se estão mostrando a cara, algum motivo existem. Pois ninguém em sua sã consciência, vivendo bem, pagando suas contas, seus filhos bem alimentados, com um emprego que satisfaçam suas necessidades,morando bem, saem de suas casas para apanhar em praça pública. Só estando loucos/loucas. É um apelo, em nome do SER mais SUPERIOR – de todos os tempos. DEUS.

  5. Emerson Responder

    Parabéns aos militares que se recusaram a “cercar” os professores…E por isso foram presos.
    Vocês fazem a diferença….

  6. Ana Santos Responder

    Que país é esse? (Renato Russo)
    Nas favelas, no senado
    Sujeira pra todo lado
    Ninguém respeita a constituição
    Mas todos acreditam no futuro da nação
    Que país é esse?
    No Amazonas, no Araguaia, na Baixada fluminense
    No Mato Grosso, nas Gerais e no Nordeste tudo em paz
    Na morte eu descanso mas o sangue anda solto
    Manchando os papéis, documentos fiéis
    Ao descanso do patrão
    Que país é esse?
    Terceiro Mundo se for
    Piada no exterior
    Mas o Brasil vai ficar rico
    Vamos faturar um milhão
    Quando vendermos todas as almas
    Dos nossos índios num leilão.
    Que país é esse? Que país é esse?

  7. kleber borges Responder

    Parabéns aos professores,

  8. ANDRE YURE Responder

    Alguém mais viu, ou foi só eu que li a parte da notícia que dizia que o manifestante tentaram de novo invadir o prédio da assembleia legislativa?

    • Ricardo Responder

      “que o manifestante tentaram” kkkkk, está justificado sua ira contra professores…

    • Responder

      O povo invadir a casa do povo, seria algo mais ou menos assim você é solteiro e mora sozinho e tenta invadir a sua própria casa.
      Cara maneiro, mas esse papo brabo é coisa de drogado ou lunático, você queria que o povo soubesse que estavam sendo saqueados e ficassem la fora aplaudindo e gritando palavras de ordem para pessoas incessíveis ao sacrifício do outro ou até mesmo a dor de crianças em uma escola ali perto, ou você é muito burro ou ta mau intencionado. Seria mais ou menos assim você entre na sua casa enxerga um ladrão carregando todas as suas economias e você não faz nada, não chama a policia, não tenta impedir e ainda fica sorrindo.
      No nosso caso nem mesmo a policia podemos chamar porque a mesma estava mancomunada com o saqueador, de brinde ainda levamos porrada.
      Mas deixe porque quem vai pagar essa conta no final são todos os paranaenses ou alguém ainda tem duvida que quando a grana da previdência acabar, quem vai ter de repor esse bufunfa são todos os contribuintes, ai todo mundo tomou no traseiro!

    • palomino Responder

      Entrar no prédio da Assembleia Legislativa é um direito de qualquer cidadão que pague impostos. A polícia não pode fechá-lo. O prédio é financiado com dinheiro do contribuinte, assim como o salário de todos que lá estão. É um prédio público, isto é, do povo; o povo, se quiser, deve ter o direito de acessá-lo. Quem quebrou a lei foi quem impediu o acesso ao prédio.

      E, mesmo que os professores que tivesse tentado entrar estivessem cometendo um crime (o que, repito, NÃO É O CASO), esses professores – e somente eles – é que precisariam ser identificados e presos. Não faz sentido alguns professores cometerem um crime e a categoria toda ver tolhido seu direito à manifestação por isso!

  9. Alessandra Responder

    Sou professora no RS. Sou solidária a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores em Educação do Paraná e, portanto, do Brasil! E repudio a ação da polícia!

  10. Tulipa Mag Responder

    Como que um governador dá uma ordem ILEGAL à polícia civil e militar e essa ordem é cumprida? Como que um ministro da justiça pede, ao invés de EXIGIR, que se pare a dura atuação policial? Estamos numa ditadura?

  11. Carlos Gonçalves Responder

    Excelente trabalho da Polícia Militar! Apesar do governo do Paraná ser de esquerda, do PSDB, a Polícia Militar, que está para defender a ordem social, interviu bem, confrontou estes arruaceiros, munidos de armas brancas na mão e com os rostos encobertos. Confrontou os sindicalistas baderneiros, inclusive uma liderança sindicalista que é afiliada ao PT. Todos esquerdistas, massa de manobra. A polícia militar agiu bem e deve agir em todas as situações no Brasil inteiro. A tentativa de desmoralizar com as polícias não vai surtir efeito! Ainda digo mais: Intervenção Constitucional Militar é a única salvação do país contra os comunistas do Carta Capital financiado pelo Governo com dinheiro do contribuinte!

    • alguem Responder

      conselho pra pessoas como vc… se matem.

    • DANIEL DE OLIVEIRA SOUZA PARENTE Responder

      Senhor, e o levante de 17 de julho de 1997, quando o governador de alagoas foi obrigado a renunciar ao cargo de chefe de Executivo para evitar o derramamento de sangue. Naquele dia, era iminente o confronto entre soldados do Exército e policiais civis e militares, os últimos inconformados com os mais de oito meses de salários atrasados.

      O Exército havia sido convocado para reforçar a segurança da Assembleia Legislativa depois que PMs e policiais civis decidiram cruzar os braços e se juntaram aos milhares de servidores que já estavam parados e se mantinham em sucessivas vigílias à frente do Palácio dos Martírios e da sede do Legislativo. Então quer dizer que os PM e a Policia Civil do Estado eram baderneiros e mereciam o que?

    • Sandra A L S Responder

      Você é um analfabeto funcional e politico. Pessoas como você MERECEM O psdb GOVERNANDO…São Paulo, Paraná…roubos, crises, falta de água…Esse é o governo PSDB.Graças a Deus o Brasil não é governado por esse partido. Professores lutavam CONTRA O ROUBO DE SUA PREVIDÊNCIA. Mas você é muito burro pra compreender isso. Se está lendo essa mensagem é porque um Professor te ensinou.

  12. José Alexandre Gonçalves Responder

    Farofafa… eu mandei e-mail no sábado avisando que isso iria acontecer. Queria ver a CartaCapital lançar o debate nacional da crise do PSDB/PR.
    Eu estava lá na quarta-feira. Foram uma hora e meia de bombardeio. Inacreditável!!!
    – Pra quem pede pela volta a Ditadura, venha para o Paraná. Vivemos uma ditadura. Hoje, Beto Richa é quem manda. Falou tá falado!
    O chefe da Operação foi o Sec.de Segurança o Delegado Franceschini. Na greve de fevereiro ele foi proteger os Deputados da base governista à descer do Camburão mas saiu correndo dos manifestantes. Pegou muito mal. Agora, nesta operação Franceschini quiz “lavar a alma”. Decretou a falência do Governo Richa.

  13. Aluizio Chagas Pontes da Silva Responder

    No facebook já havia postado uma mensagem em apoio aos professores, o que faço aqui novamente. “Também quero externar o meu profundo luto pela cena desumana, pela truculência, pela falta de respeito ao profissional que é a única porta de escape para uma sociedade mais justa. É vergonhoso ver tamanha falta de gratidão desses políticos que querem ver o povo cada vez mais burro. Assim, a manipulação é mais fácil. Professores, porta para a esperança, vos faço um pedido: Não deixe o povo a mercê desses políticos que não têm compromisso com uma sociedade justa, igualitária… reaja, formem mais pessoas dotadas de autocrítica. Dessa forma, em um futuro não muito distante, verão que tudo valeu apenas. Vocês sempre terão minha externa gratidão.”

  14. Smith Responder

    Os dois lados erraram, seja os manifestantes que forçaram a grade e enfrentaram os policiais, assim como o uso desproporcional da força daqueles que tem como função nos proteger.
    Agora não entendo a situação dos grevistas do PR, pois pela segunda vez no ano, decidiram entrar em greve. Não tinha sido resolvido a situação em um primeiro momento? Existem outros setores do funcionalismo público paranaense de greve ou apenas os professores?

  15. Walter Responder

    ELE É DESEMPREGADO EM LONDRINA ?? COMO VEIO A CURITIBA ? O QUE NINGUEM CITOU É QUE O GRUPO JA HAVIA FEITO INVASÃO DA ASSEMBLÉIA.- ESTAMOS VIRANDO UM POVO QUE SÓ QUER MENTIRAS E CAFUNÉ ??

    • Vanessa Responder

      Se informa melhor antes de fazer qualquer tipo de comentário!!!!

  16. Lohanna Machado Responder

    Força, amigo!

  17. Gustavo Horta Responder

    É assim mesmo que são as coisas aqui em nossas plagas.

    “Em protesto que pede intervenção militar você é tratado com educação. Em protesto que pede educação você é tratado com intervenção militar.”

    “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos.”
    (Simone de Beauvoir)

  18. Douglas Responder

    Todos somos solidários aos professores exigirem melhores salários. Sou servidor público civil do Estado do RJ e no ano passado também fizemos uma greve. Porém, foram os professores em questão que causaram o tumulto. Eles estavam se manifestando pacificamente, exercendo seu direito de greve, sem ter qualquer problema. Então, resolveram fazer a única coisa que não podiam, invadir novamente a Assembléia, como tinham feito, com violência, na greve anterior. Como se pode ver nos vídeos e como confirmou o professor no texto acima, os manifestantes tentaram romper a força o cordão de isolamento feito pela polícia, que reagiu com força desproporcional, atacando inclusive aos que nada fizeram. Aproveito para esclarecer que entrar na Assembléia Legislativa, dentro do número de vagas destinadas a este fim é um direito nosso, mas invadir o prédio em turba, ameaçando inclusive a integridade física dos funcionários, é crime.

Deixe seu comentário:

*

captcha *