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Proteger as crianças

A antropóloga Adriana Facina, da UFRJ, reflete sobre a ‘sexualização’ das crianças no funk, que virou polêmica após Ministério Público abrir investigação sobre MCs mirins

Nos ano 1980, com roupas mínimas, Xuxa comandava o programa infantil de maior audiência da TV brasileira e Sandy e Junior, bem pequenos, cantavam em rede nacional a música de duplo sentido “Maria Chiquinha”, que foi o início de uma bem sucedida carreira de estrelato mirim.

Nos anos 1990, foi a vez do É o Tchan e Companhia do Pagode botarem as meninas para rebolar em roupas curtas e descer na boquinha da garrafa, simulando ato sexual. Tudo isso nas tardes de domingo, em atrações como o Domingão do Faustão.

De lá pra cá, foram incontáveis os comerciais de cerveja exibindo fartamente corpos femininos de modo sensual. Publicidade disponível a qualquer horário, para quem quiser ver. A ampla indústria pornográfica também exibe há décadas suas publicações em bancas de jornais de modo livre e desinibido. Busdoors de propagandas de motéis e lingerie ocupam as janelas dos ônibus que carregam entre seus passageiros crianças em idade escolar. Sem falar em filmes, novelas e todo um amplo cardápio de produtos em que o sexo é prato principal, oferecido cotidianamente aos cidadãos e cidadãs brasileiras de todas as idades.

Podemos dizer, sem medo de errar, que estamos imersos numa cultura do corpo que não somente objetifica o corpo feminino como fonte de prazer sexual como também naturaliza esse papel da mulher. Quanto mais sexualmente desejada, mais bem sucedida.

Não é de se espantar que as meninas em nosso país aprendam essa lição a cada dia mais cedo. Sobretudo as meninas das camadas populares que, desde pequenas, assumem muitas tarefas como cuidar de casa, dos irmãos e de si mesmas, já que a rotina de trabalho dos pais e a ausência de um sistema de educação pública de qualidade que funcione em tempo integral lhes impõe isso. São elas também que, pelos mesmos motivos, mais tempo ficam expostas às mensagens dos meios de comunicação que mencionei acima. É aí que começa a chamada adultização.

MCs Melody e Belinho, filha e pai - Foto: Facebook

MCs Melody e Belinho, filha e pai – Foto: Facebook

O que quero dizer é que a performance da MC Melody expressa processos mais profundos. Criminalizar seu pai (MC Belinho) é abafar, com farta dose de sensacionalismo, as questões que afetam a infância e juventude popular no nosso país. Um dos grandes méritos do funk como arte e manifestação cultural é trazer essas contradições que ninguém quer ver e que nossa sociedade prefere enfrentar apoiando a redução da maioridade penal.

Criança dançando sensualmente é algo visto com horror, mas menores de idade enviados para as abjetas e desumanas prisões brasileiras é aceito. De que e de quem queremos proteger nossas crianças? É preciso que a sociedade se mobilize para fazer esse debate de modo democrático e qualificado, pois da resposta a essa pergunta depende nosso futuro como país. Que o caso da pequena MC possa servir para isso, o que só será possível se superarmos o elitismo, o preconceito e o moralismo com que usualmente são tratadas as produções culturais das periferias.

Enquanto isso, o C.A.I.C. Theóphilo de Souza Pinto, escola estadual situada no Complexo do Alemão, abriga uma base da UPP desde 2011. Como resultado, o prédio está cravejado de tiros, pois a escola tornou-se abrigo para policiais militares durante trocas de tiros com traficantes. De 1.330 alunos, restaram 700 que muitas vezes ficam sem aulas. Recentemente, foram divulgadas inscrições feitas por esses alunos em volta dos buracos de balas nas paredes de sua escola. Uma delas me marcou e trazia a pergunta: “Como estudar assim?”

O medo dessas crianças e jovens é real. Afinal, segundo a Anistia Internacional, só em 2012 foram 30 mil jovens assassinados no Brasil, 77% deles eram negros, em sua maioria moradores de favelas e periferias do país. Os alunos da escola do Alemão sabem que podem se tornar parte dessa estatística. Até agora o Ministério Público ainda não se pronunciou sobre o caso.

* Artigo publicado originalmente no site Academia.edu

Professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/Museu Nacional/UFRJ. Desenvolveu pesquisa de pós-doutoramento sobre música e lazer popular no Rio de Janeiro, com ênfase no funk. Atualmente pesquisa arte, produção cultural e práticas de letramento em favelas cariocas
  1. Ruberval Marcelo Silva Oliveira Responder

    A professora como pesquisadora, e o que ela chama Funk,é uma construção midiática orquestrada pela Rede Globo.Carece pesquisa!Começando pelo amigo antropólogo da mesma UFRJ,Hermano Viana.

    • Vitor Hugo. Responder

      Oque me chama a atenção nessa reportagem, que não sabe oque é a palavra ” IMPARCIALIDADE ” é uma tentativa clara de tentar inocentar, quem Já tem carater e personalidade formada, mais que mesmo assim e tratado pela sociedade como se fossem bebes de fraldas, é facil , muito fácil colocar a culpa em Pedófilos, sacis pererés, nos pais, na educação e principalmente na cultura de um páis, e não colocar a culpa em quem Realmente tem a culpa. voces acham que Pseudo intelectuais, acham mesmo que crianças independente da idade biológica que tenham, não sentem prazer sexual?? não se masturbam muitas vezes as escondidas dos pais, não tomam seus pileques, não experimentam os seus primeiros cigarros, e até maconhas?? IDADE BIOLOOGICA DE UMA PESSOA não define, carater, moral, e personalidade se defini-se todas as crianças de uma mesma faixa etária teriam o mesmo comportamento, mais não, cada um tem sua personalidade, tem seu carater, INDEPENDENTE da vida que levam, muitos falam aqui, que só as meninas das favelas brasileiras é que tem esse tipo de postura e comportamento, quem disse??? Já presenciei tantas cenas lastimáveis em familias Estruturadas, ricas, milhonárias, aonde os pais dão tudo do bom e do melhor para seus filhos, e é só virarem as costas, que seus filhos começam a lietralmente ” TOCAR O TERROR ” É OBVIU que existe influencias por parte da sociedade, dos pais, mais não podemos atribuir a culpa da terceiros pelo comportamento, e mal caratismo dos nossos filhos.
      o Fato é que por mais que demos educação aos nossos filhos, por mais que conversemos e os aconselhamos, A VONTADE DELES SEMPRE PREVALECERÁ , não tem estado, não tem leis, não tem pais, se uma menina de 9 ANOS decidir por livre espontânea vontade aue quer fumar, que quer beber, que quer fazer sexo ela Vai fazer, e não importa oque as leis digam, ou oque nós pais dissermos, criamos nossos filhos para o mundo, e não para nós mesmos

      • Wellington Silva Responder

        Uma pessoa com 18 anos já teve pelo menos 7 anos de experiência na adolescência (o que fica claro que é o mínimo do básico quando você conversa com qualquer “adulto” de 18 anos), com situações que tinha noção que estava indo contra a vontade dos pais e correndo riscos por conta própria. Agora, para onde vai essa noção de limite que ajuda tanto na adolescência, quando você acha normal uma criança usar algo tão forte e perigoso como essa linguagem extremamente sexualizada do funk.

        A mesma lógica para armas é como achar normal dar uma arma para uma criança, sem treinamento, sem auto controle. Sendo que nem os próprios PMs que decidem sozinhos como usam armas, têm que respeitar protocolos previamente criados. E ainda acontece o monte de merda que vemos.

        A única diferença entre a arma e o funk é que os adultos sabem que podem morrer se tomar um tiro, aí é perigoso para a sociedade. Agora se a criança for estuprada por adultos, ficar traumatizada, aí passa desapercebido e tá tudo normal.

      • Warney Smith Ribeiro Responder

        Ja é senso comum que não existe imparcialidade nem verdade no jornalismo
        Só velhos jornalistas ultrapassados falam nisso

      • Vinicius Responder

        Você tem uma cicatriz no cerebelo.

    • Warney Smith Ribeiro Responder

      Concordo em parte A orquestração não é da Globo e sim de empresários “culturais” BRANCOS E RICOS que impõem esta merda pra grande maioria de miseraveis pobres como se fosse “musica de preto e pobre”. EXATAMENTE O MESMO DAS IGREJAS EVANJEGUES E aí os 90% de miseraveis incapazes de pensar – caem como moscas nessas armadilhas.

      • Vinicius Responder

        Curioso… os comentários acima soam como frases rebeldes de adolescentes. Orquestração da Rede Globo? Não tento eximir a parcela DAS EMISSORAS de comunicação na construção desse imaginário, nem das agências de publicidade, nem dos açougues, supermercados, nem dos próprios sujeitos, que enquanto sujeitos, se constroem nessa relação doar-receber. Agora, afirmar que isso é uma orquestração da Globo soa para mim como a frase de um paranóico que atribui o “controle” do mundo a sociedades secretas. Giram em torno de afirmações [senso-comum], e só contribuem para reforçar e construir essa realidade que estão a criticar.

  2. luis Responder

    Os “intelectuais” fomentaram esse problema e agora propõem-se a analisá-lo. Ligam o gerador de lero-lero e acham que estão dizendo alguma coisa… Não entendo como preservam suas sanidades nesse caos semântico e ideológico. A sabedoria abandonou as universidades há bastante tempo, estão decrépitos e vivem do auto-engano. Não se preocupem, faremos o papel de vocês, preservaremos o conhecimento ideologicamente desinteressado sem receber nenhum tostão por isso. Por gentileza, voltem aos livros.

    • Ivon Responder

      Sou parte (proletária) da “Universidade”. Gostei muito do seu posicionamento e da argumentação. Reforço que na academia usa-se o discurso em grande parte para desmoralizar a opinião do outro, não interessando se esta tenha mais fundo lógico e de verdade. A produção acadêmica em boa parte é apenas para justificar os financiamentos de pesquisas, cujos recursos são mesmo tomados como “pagamentos” aos “pesquisadores”. Não se preocupam em resolver problemas que afligem às pessoas, infelizmente!

  3. Paulo Responder

    Vocês querem justificar a promiscuidade precoce que o sistema sexista enfia na mente das pessoas, com a desculpa de que nos anos 80 e 90 já se fazia isso? Isso vem de muito antes, são técnicas políticas para trocar a população promíscua, sem valores. Para assim sermos mais fáceis de se manipular. Agora vem vocês com essa patifarofa ai querer dar lição amoral? Bando de incompetentes, desinformantes e filhos da puta! Deem merda pra filha de vocês, quem tem noção sabe que esse mundo está de cabeça pra baixo, por mais que desgraçados como vocês insistam em dizer que tá tudo bem…!!!!

    • Eduardo Nunomura Responder

      Agradecemos a sua opinião, mas dispensamos os palavrões ofensivos.

    • Warney Smith Ribeiro Responder

      Concordo totalmente com voce inclusive repito os palavroes . Explicar essa merda é simplesmente burrice

  4. Paulo Responder

    Elogio o artigo, mas não estou convencido sobre algumas questões. Será o problema da erotização infantil simples decorrência da erotização de modo geral da sociedade? E a erotização dos meninos? Sim, esta também existe no malfadado funk (segundo descobri noutro artigo).

    Os exemplos de Xuxa, Sandy e Jr., É o Tchan etc. são bons maus exemplos, mas neles não havia a erotização infantil nos moldes do funk, aliás, nem mesmo as letras de duplo sentido de Sandy e Jr podem ser comparadas, pois soavam «engraçadas» ou ridículas, pois naturalmente não havia malícia em duas crianças impúberes, nem os trajes eram impróprios.

    De qualquer forma, seja qual for a gênese do problema, o fato é que ele existe e precisa ser combatido. Não devemos nos perder em divagações de fundo ideológico enquanto crianças estão sendo usadas como bichinhos amestrados p/ lucrar c/ a libido alheia. Este tipo de exploração, cujas consequências podem ser irreversíveis, é sim assunto p/ o Direito Penal, p/ a Justiça.

  5. ricardo Responder

    Assim é a esquerda: protesta e esperneia contra o machismo que explora a erotização de mulheres adultas (como nos comerciais de cerveja) mas aplaude o machismo que explora a erotização de crianças no funk.

  6. Aloísio Leoni Schmid Responder

    Todo esse intróito para chegar a afirmação relativizadora “criança dançando sensualmente é algo visto com horror, mas menores de idade enviados para as abjetas e desumanas prisões brasileiras é aceito” ? Olha a fragilidade da lógica – sem nem precisar falar da fragilidade moral – do discurso.

  7. Marcelo Kenne Vicente Responder

    achei que a autora fugiu do foco “sexualização na música”, criando um elo para a questão da violência. Óbvio que é os assuntos podem se relacionar, mas acredito que poderia falar mais sobre o tema principal. Obrigado

  8. Marcelo Kenne Vicente Responder

    ainda sobre o texto, achei bem interessante abordar a questão das meninas terem que abraçar responsabilidades desde cedo. É um ponto bem importante.

  9. Devair Responder

    Entendo que a questão da MC Melody e a redução da maioridade são temas e discussões bem mais ricas e não podem se confundir dessa forma. Temos o costume de relacionar assuntos divergentes e isso só atrapalha e desvia o objetivo das discussões.
    A forma que a lei favorece a criminalidade e a nossa educação paralítica são, na minha visão, o foco do problema. Eu apoio um referendo e a abertura para debates em todas as mídias.

  10. Márcio Rodrigues de Carvalho Responder

    Art. 218 do Código Penal: “Induzir alguém menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de outrem”. Pena: Reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos
    O pai de menina infringiu a lei. Simples assim.

    • Vitor Hugo. Responder

      Amigo, em primeiro lugar,Devemos Desconsiderar ” leis ou decretos ” feitos por políticos analfabetos e sem nenhuma instrução, que simplesmente fazem leis, sem pé e nem cabeça na base da Canetada se baseando apenas em suas opiniões pessoais, QUALQUER BOM ADVOGADO REFUTA FACIL leis abusiva, e arbitraria, até porque ela não tem nenhuma base ciêntifica,nada que sustente ela que e analisa o individuo se baseando apenas na idade biológica oque absolutamente não tem nada haver .o estado também não tem nenhuma moral para aplicar as leis, haja em vista que nem ele respeita as leis que ele mesmo faz. a constituição também diz ” que todos são iguais perante a lei ” mais ao mesmo tempo ela faz distinção entre pessoas se baseando apenas na idade biológoca do individuo.

    • Vitor Hugo. Responder

      NÃO cite, Artigos Caducos, de uma constituição de 80 anos atrás. que nada tem haver com a realidade dos tempos modernos. em partes concordo que o pai tem sua parcela de culpa, MAIS QUEM DECIDIU SE PROSTITUIR E SE EROTIZAR foi a propria menina, por isso ela que deve responder pelos seus atos e sofrer as consequencias dele, em um video ela assumi publicamente sua peversão sexual, falando de seios, genitalias, e ainda dá sorrisinho para a camera. provavelmente não deva ser mais virgem. o fato é que ela fez suas escolhas pessoais, e o estado nada tem haver com sua vida privada o particular, ainda que eu não concorde com o fato dela ser promiscua tenho que considerar que foi uma escolha dela, e nos videos em que ela faz ela demonstra total responsabilidade por seus atos, e ainda debocha das autoridades.

      • Márcio Rodrigues de Carvalho Responder

        Até daria pra conversar e tentar dialogar sobre todo o “lero lero” que vc disse, mas aqui, nesta frase, vc sepultou um diálogo humano: “MAIS QUEM DECIDIU SE PROSTITUIR E SE EROTIZAR foi a própria menina,”

      • jonas Responder

        Voçe esta tentando falar com Machos ALFA não ouvirao a verdade, não se olharão para o espelho…
        uma foto da “xuxa” por exemplo polemica ela e uma criança , a foto mostra claramente a personalidade dela porem ela ataca outros que tem esta personalidade alegando JUSTIÇA, são truques da midia ocultar o outro lado da moeda e fazer o povo acreditar ,(Caem como mosca na merda) antes essas crianças se prostituia por comida e HOJE por DROGAS , O que ela esta combatendo???? afinal ..A midia e puro insentivo a prostituição e miséria em uma pagina ou na mesma pagina vc ve uma propaganda de combate a exploração sexual e do LADO da pagina propagandas PORNOS, (estranho não acha).

  11. Douglas Fonseca Responder

    PARABÉNS MÀRCIO RODRIGUES DE CARVALHO!!!!
    PARABÉNS MÀRCIO RODRIGUES DE CARVALHO!!!!
    PARABÉNS MÀRCIO RODRIGUES DE CARVALHO!!!!

  12. douglas ganeco Responder

    https://www.youtube.com/watch?v=eThZo99FdPg

    Hélder Rocha dos Santos 9 meses atrás
    A HISTÓRIA DA EROTIZAÇÃO INFANTIL NA MÍDIA BRASILEIRA.
    Tudo começou com uma modelo ambiciosa que, depois de posar para algumas revistas de moda, resolveu ficar mais famosa posando para revistas masculinas (Status, Ele&Ela – da editora Bloch). Não satisfeita resolveu fazer um filme erótico com cenas de pedofilia (Amor estranho amor). Aí ela ficou famosa em todo o Brasil e logo foi posar nua para a revista Playboy.

    Na época (1983), fazia sucesso na TV Globo um programa infantil apresentado por crianças chamado “Balão mágico”. Pensando em aumentar sua audiência e os lucros, a concorrente da globo, TV Manchete (também da editora Bloch, a mesma da revista masculina Ele&Ela) pensou em arriscar uma fórmula que até então não havia sido testada: Colocar uma modelo de revistas masculinas, seminua, para apresentar um programa infantil. Assim ela atraia a atenção dos pais e dos filhos. A fórmula deu certo e logo a modelo ficou mais famosa ao namorar um jogador de futebol famoso e a audiência da TV Manchete foi às alturas, derrubando a Globo.

    A Globo, para não ficar por baixo, contratou a modelo (1986) e repetiu a fórmula da TV Manchete acrescentando assistentes de palco também com roupas sensuais.
    No ano seguinte uma destas assistentes de palco, que tinha apenas 17 anos (mas era emancipada) foi convencida a posar para a revista Playboy e não somente fez muito sucesso como começou a deixar algumas pessoas de orelhas em pé, atentas para o que a mídia estava fazendo: EROTIZAÇÃO INFANTIL.

    Nesta mesma época um fotógrafo profissional resolveu lançar um livro com fotos sensuais de nus artísticos de adolescentes e crianças. O ministério público resolveu agir e proibiu o livro e mandou recolher todos os exemplares do comércio.
    Com isto passou-se a criticar também as roupas sensuais da apresentadora do programa infantil. E para mascarar o problema a Globo resolveu vestir a apresentadora com roupas menos provocantes mas suas auxiliares de palco (que eram de menor) ficavam tomando conta das crianças que participavam do programa, mas todas de costas e vestindo shorts curtinhos. E, de vez em quando, o câmera dava um close no bumbum delas.

    A apresentadora e modelo a que me refiro todos já sabem quem é: Xuxa
    A sua auxiliar de palco menor de idade que posou nua para a playboy foi a atual atriz Luciana Vendramini.

    Durante este longo período (desde 1983) muitas crianças cresceram vendo o programa erótico da Xuxa e se deixando levar pelas fantasias sensuais. Dez anos depois, estas crianças, na época com 8 e 9 anos mas agora adultas, resolveram buscar a fama fazendo o que mais elas viram de exemplo quando crianças. APELOS ERÓTICOS.
    Ai sugiram grupos musicais com fãs confesso de Xuxa, fazendo danças extremamente eróticas: É o Tchan (1992), Cia. do Pagode (1992), etc. com músicas de duplo sentido (segura o tchan, na boquinha da garrafa…)
    Programas como o do Gugu Liberato e do Raul Gil faziam concursos infantis de dança “na boquinha da garrafa”. Eram apresentadas crianças de 5, 6 anos vestidas com shorts que só cobriam metade de suas bundas e colocavam estas crianças para dançar “na boquinha da garrafa”.

    DESCULPEM-ME QUEM ACHA QUE TODA ESTA HISTÓRIA FOI CONSTRUIDA DE MODO “INOCENTE”.
    AS CRIANÇAS, COM CERTEZA ERAM INOCENTES, OS PAIS ERAM IMBECIS (IGNORANTES), MAS A MÍDIA SABIA MUITO BEM O QUE ESTAVA FAZENDO.
    E ELES SÓ VISARAM LUCROS E NUNCA (nunca mesmo) SE PREOCUPARAM COM O FUTURO DAS NOSSAS CRIANÇAS.

  13. Vitor Hugo. Responder

    Hoje vejo no brasil, meninas de 8 anos mostrando níveis absurdos de intelecto maior do que a de muitos adultos,não queiram comparar uma menina de 8 anos da segunda guerra mundial de 1940 com uma menina da mesma idade dos tempos atuais, porque a diferença é absurdamente clara… Hoje meninas de 8 anos, fazem blogs, falam , criticam , dão suas opiniões sobre politica, religião e até debocham dos adultos, das autoridades,Trabalham em emissoras de TV, trabalham como modelos, fazem teatro profissional, cinema, ganham salários, ganham até mais que Juiz, não pagam impostos, FAZEM OQUE QUEREM, e demonstram através de suas atitudes, o quanto são conscientes do que fazem, a ponto de muitas se assumirem publicamente como prostitutas, e quando voce tenta dialogar com uma menina de 8 anos, que decide ser garota de programa, assumidamente perante a sociedade, ela simplesmente llhe dá uma boa resposta do tipo ” O CORPO EU MEU, E EU FAÇO COM ELE OQUE EU QUIZER, E VOCÊ NÃO TEM NADA HAVER COM A MINHA VIDA ” só para se ter uma idéia do nível de maturidade, que uma menina desta tem, APENAS PEQUENOS ADULTOS, UM ADULTO NO CORPO DE UMA CRIANÇA, apenas isso,.

  14. Rodolfo Lisboa Cerveira Responder

    Não vejo o funk, nem a dança “na boquinha” da garrafa, como manifestação cultural e arte, só consigo entendê-los como manifestação de sexo quase explícitas. No entanto, elas têm asseguradas suas exibições nos canais de TV (abertos e fechados), nas baladas, nas festas populares, etc.Tudo na vista do poder público, com o consentimento da sociedade há muitos anos. Também não são só as meninas das camadas sociais mais baixas, as de classes mais altas também são influenciadas. Tanto as danças “sensuais”, como menores delinquentes devem ser tratados com certos rigores, para não se transformarem nos nossos horrores mais tarde.

    • jonas Responder

      Esses horrores ja existem o incentivo real da violencia e promiscuidade, ratos de esgoto são colocados em cadeiras de JUIZES a qual só JUIZES pessoas qualificadas deveriam ocupar, A ONU e criticada pelo POVÂO e tem demostrado qualidade porem e atacada pelo povo.

  15. Fernando C. M. Andrade Responder

    O que tem de PhD analfabeto em quase todas as outras coisas… Melhor chamar o Hermano Vianna, irmão do Herbert, que já tem esse discurso há mais de 20 anos. Enquanto isso, vejam o vídeo abaixo, ilustrativo sobre a maravilhosa cultura funk (carioca): [N.R: não vamos publicar a indicação do leitor por ser ofensivo]

    • Ricardo Responder

      Mas Fernando, o que esperar de alguém que tem “pós-doutoramento com ênfase em funk”? Só se pode esperar mesmo a defesa cega de tudo o que os funkeiros fazem, inclusive levar crianças para fazer dança sensual em cima do palco. Quanto ao vídeo que você tentou postar sobre a “cultura funk”, curioso que tenha sido removido por ser “ofensivo”. Se o funk é tão bom assim, o vídeo deveria ser publicado, e não removido.

  16. Dimitrius T. Pramio Responder

    Digitando com os pés no momento, pois com as mãos estou aplaudindo a excelente análise da Dra. Adriana Facina.
    Interessante né, o preconceito contra a cultura de periferia nunca foi tão nítido, e o falso moralismo nunca imperou tanto em nossa sociedade, a começar pelos comentários carregados de ódio e falta de vontade de interpretar o texto e a realidade que vos circunda.
    Afinal de contas, é mais fácil por a culpa no pobre que sempre é bandido, ou no governo que sempre é corrupto, mas fazer uma análise racional dos fatos e tentar enxergar além do que o noticiário diz, aí ninguém quer né??

  17. joao Responder

    É leviano e falacioso concluir que haja um peso com duas medidas entre os que apoiam a redução da maioridade penal. Não passa por este raciocínio o caso da redução da maioridade. Sim, há uma cultura de coisificação da mulher e do sexo, porém querer reprimi-la coaduna sim com a repressão da prática criminosa de menores. Menores, porém “capazes”, que não podem culpar senão a si mesmos pela conduta. Certamente, Adriana, você não conhece pessoa pobre de boa índole, se julga que o caminho do crime é imputado apenas pela sociedade. A constituição reconhece o caráter do preso no processo de execução penal, por quê não reconhecer o caráter do réu no processo criminal? Caráter.

  18. Paulo Henrique Responder

    Só para constar que há dois comentários sob o nome “Paulo” no dia 04 de maio, o meu é o segundo, de 12:54h. Estou acrescentando o segundo nome para que não haja confusão.

    Gostaria de fazer coro com aqueles que não consideram arte o funk, a “dança na boquinha” e quejandos. Sei que alguns consideram esse entendimento preconceituoso, mas, convenhamos, hoje em dia tudo virou preconceito. Qualquer reprovação a qualquer coisa e pronto, o diagnóstico é de preconceito.

    Esses “estilos”, na realidade, colaboram com a degradação das pessoas, tanto é assim que nem mesmo a nossa sociedade, já tão amestrada em termos de (des)valores, manifesta rejeição à erotização infantil que explodiu no funk.

    A propósito, essa semana saiu notícia de uma escola que obrigou seus alunos do primário (crianças) a declamar versos pornográficos, eróticos. Claro, os pais acusaram o fato, virou até notícia.

    E como ver toda essa situação? Ora, com enorme preocupação!

  19. Luiz Moraes Responder

    Só os burros começam a lavar uma escada pela parte debaixo…

  20. Luiz Moraes Responder

    Mas, atenção, quanto maior a altura, maior o tombo…

  21. Luiz Moraes Responder

    O resto, é conversa pra boi dormir.

  22. Alex Silva dos Santos Responder

    Quer dizer que tudo, tudo que for “produção cultural da periferia” deve ser aceito sem análise e com bons olhos?
    Devemos, ao menos, tentar separar as boas das más influências que nos são apresentadas.
    Em sequência a isso vão utilizar o discurso relativista de “e o que é uma boa e uma má influência?”
    Rapaz, este mundo está cada mais decadente.

  23. Mafalda Responder

    Compreendo cada opinião aqui exposta sobre o texto. Esse tema trazido pela antropóloga merece atenção como muitos outros que estão surgindo em nossa sociedade. Gostaria que todos aqui reconhecessem os trabalhos dos intelectuais, respeitassem, pois eles são os responsáveis por trazer questões sobre diversos assuntos que no nosso dia a dia não pensamos, não discutimos. Vivemos do nosso trabalho, da nossa vidinha particular com os nossos problemas e muitos não têm tempo de estudar muitas realidades de nossa sociedade.
    A antropóloga fez um estudo, está aí sua análise, mas não significa que seja a verdadeira e para por aí e tá tudo resolvido, não. Compartilhem, meus amigos, com o que vocês mais ou menos entendem dessa realidade mas não insultem os nossos intelectuais. Eles são valiosos.
    Em minha humilde visão sobre essa realidade é a de que sempre existiu em todas as sociedades a cultura da contra cultura. Se vocês forem estudar a história da música, por exemplo, irão entender como em séculos passados as classe subalternas sempre tiveram comportamentos mais livres do que os nobres e isso refletia na produção cultural como a músicas que é a mais poderosa. Enquanto a nobreza “puritana” tinham uma cultura de gestos calculados tanto na dança quanto na música e na vida pessoal, os desprovidos de riquezas já eram mais extravagantes, mais alegres. A produção cultural é a expressão de uma dada realidade, de um determinado grupo com suas ideologias. Existe uma miscelânea de expressões culturais diferentes no Brasil, como também em outros países.
    O funk e o axé são sim expressões culturais, pertencem a uma dada realidade. Agora se a mídia está se aproveitando dessa produção pra ganhar dinheiro porque sabem que vão ganhar, ai é outra coisa. Não dá para queremos colocar os que rebolam a bunda na fogueira. Eles estão rebolando lá nos seus guetos, mas se a mídia dissemina essa cultura local e uma maioria do brasileiro gosta é de se perguntar o porquê. Poderia muitos rejeitar e não consumir, não é verdade?
    Daí vem os problemas sociais e psicológicos, pois temos uma maioria que trabalha umas 10 horas por dia, chega cansado em casa e o único entretenimento é a TV ou uma festa dançante para descarregar. O álcool e o sexo são dois elementos perfeitos para o entretenimento dos adultos seja pobre ou rico mas cada um se expressa de formas distintas. As crianças já começam desde cedo a sentir esses dois prazeres. e quando se tornarem adultos, o que vai acontecer? Vão ficar viciados? Vão ser mais insensíveis? Vão saber sobre o que é ética, limites?
    Quando queremos reduzir a maioridade penal esquecemos desses dois fatores o social e o psicológico e suas consequências. Muitas crianças que vivem em favelas convivem com armas e drogas de adultos, como vamos controlar essas crianças que serão mais tarde adultos?
    Vocês acham mesmo que prendendo essas crianças vai resolver a criminalidade? que vai reduzir?
    ledo engano de todos nós, a realidade está aí estampada na nossa cara, não precisamos ir muitos longe pra saber que não dá certo. Vamos ser coerentes, precisamos ser um governo forte para prevenir a violência e não viver numa cultura de punições.

  24. Warney Smith Ribeiro Responder

    Concordo com a maioria dos comentarios daqui. Defender e “ex0plicar” essa estupidez e maior vergonha nacional é demonstrar não só incapacidade mental e CULTURAL mas principalmente é UM TIRO NO PÉ de uma educação cada vez mais em decadência

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