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Quanto vale a foto?

Neste final de semana (20 e 21 de junho) aconteceu e a Virada Cultural em São Paulo: 24 horas de música, arte e gastronomia na maior capital do país. A galera do Quanto Vale a Arte? esteve presente com seu projeto em várias praças durante a virada toda.

Virada Cultural - Praça da República

Fotos Quanto Vale a Arte?

Quanto Vale a Arte? é uma proposta que conta com a participação de profissionais brasileiros de diversos segmentos fotográficos e busca ampliar o acesso à fotografia e refletir sobre as questões monetárias da comercialização da arte.

Rodrigo ZaimRodrigo Zaim (foto à dir.), 24 anos, fotógrafo e um dos idealizadores do projeto, explica que QVA, um projeto idealizado pela Rede Fotógrafos Ativistas, foi uma maneira de ativar novamente a rede os coletivos e fotógrafos independentes, depois da onda de protestos que aconteceu em 2013. “Somos em cerca de 30 fotógrafos, contendo cinco coletivos (R.U.A Foto Coletivo, MIRA, Remirar, Fotógrafos Ativistas e Coletivo Nação) e querendo levar e estimular o consumo de arte para as pessoas que não têm nenhum tipo de acesso. A ideia é disseminar a arte às periferias, quebrando o lance de galerias.”

Isabella Lanave, 21 anos, fotógrafa do R.U.A Foto Coletivo, fala sua visão como colaboradora do projeto, mesmo morando na cidade de Curitiba (PR): “O Quanto Vale A Arte? é um dos projetos mais legais de que eu participo, pelo fato de levar a fotografia para lugares aonde ela não chegaria sozinha. A cultura de comprar uma foto, ou mesmo apreciá-la como arte, fica apenas para galerias e museus. Com essa iniciativa, feita na rua, a arte se torna parte do espaço, e pessoas que nunca viram uma exposição têm a oportunidade de chegar mais perto. E essa aproximação é importante. A arte não é só o que está nas grandes galerias e o que você paga R$500 por ela. Às vezes a arte e o artista estão mais próximos de nós do que imaginamos. E não precisamos depender de intermédios para fazer o que nos toca. A arte pra mim é livre, e o QVA torna isso uma realidade”.

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Todas as imagens expostas estão à venda (acima, dois trabalhos fotográficos de Rodrigo Zaim), mas não há preços definidos. No formato “pague quanto quiser”, cabe ao público pensar quanto vale a arte. “Levamos às pessoas fotografias tão boas quanto as que estão nas grandes galerias, só que com o preço muito acessível, na verdade o preço quem dá é a pessoa que vai levar a foto”, diz Zaim.

A Virada Cultural foi a quinta exposição do projeto, que já contou com o projeto-piloto que aconteceu em dezembro de 2014 no parque Ibirapuera. Ali, mesmo sem nenhuma divulgação, foram vendidas mais de 50% das imagens, e a aceitação foi imediata.

Weslei Barba, 31 anos, fotógrafo do coletivo Remirar, conta: “Gosto do projeto, pois vejo que a galera quer levar a arte para todos os lugares, sem se importar com o que a obra realmente vale. Participei como colaborador em uma exposição e gostei muito do feedback que a galera dá das imagens expostas. O projeto dá a oportunidade a fotógrafos que estão iniciando suas carreiras, e as pessoas que adquirem as obras estão sendo muito privilegiadas”.

certificado de autenticidadeA exposição acontece com as fotografias penduradas por pregadores de madeiras em varais de barbantes, esticadas em tripés. O público pode tocar nas imagens, e é entregue o certificado de autenticidade.

Já aconteceu também uma exposição no México, na cidade de Guadalajara, no parque Rojo/Revolución, levada pela colaboradora Isabella Lanave, que estava morando lá. A exposição contou com obras de fotógrafos brasileiros e mexicanos.

“A oportunidade de fazer o QVA no México foi especial, diz Isabella. “Num domingo de manhã, num parque onde o costume é ir para fazer exercícios e brincadeiras de rua, instalamos um varal com cerca de 70 fotos. Brasileiros e mexicanos, professores e alunos, fotojornalistas e fotógrafos por paixão. Todas as fotografias encantaram a quem passava por ali. Senhores que nunca haviam entrado em um museu pararam para observar e levar para casa um pouco do mundo através das lentes. Foi um sucesso. Saiu no jornal, rádio quis fazer entrevista e as pessoas pediram ‘façam isso mais vezes!’. É nessas situações que a fotografia faz sentido. Quando passa de mim, fotógrafa, para o outro. Seja ele quem for.”

Na Virada Cultural, o projeto esteve presente na praça Dom José Gaspar, perto do palco dos pianinstas, e na praça Roosevelt, junto com a Galinhada. No domingo, esteve presente novamente na praça Roosevelt, integrado ao Dia Mundial do Skate, e ao lado da feira gastronômica da praça da República.

21.06.2015 qva virada cultural praça roosevelt

 

Para conhecer mais o trabalho:

Site: www.quantovaleaarte.com.br

Facebook: Quanto Vale a ARTE?

Instagram: quantovaleaarte

Twitter: @qva_fotografia

e-mail: contato.qva@gmail.com

 

Michelli Oliveira, 25 anos, paulista, estuda bacharel e licenciatura em letras na Instituição Presbiteriana Mackenzie. Em 2013, começou a participar do coletivo Molotov FOTO Independente, e no mesmo ano foi uma das fundadoras do coletivo MIRA, que integra como fotógrafa e redatora. Desde pequena gostava de escrever e começou a fotografar através do projeto Quanto Vale a Arte?. Atua como repórter na rede Jornalistas Livres e sempre amou a área de comunicação.

 

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