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Pânico na galeria

Exposição do artista Choque é pixada na Galeria Crivo - Fotos Jotabê Medeiros

Exposição do artista Choque é pixada na Galeria Crivo – Fotos Jotabê Medeiros

Cinco pessoas, três delas usando máscaras, entraram na tarde de terça-feira (21/7) numa galeria de arte na Rua Aspicuelta, na Vila Madalena, e destroçaram a exposição de fotografias do artista conhecido como Choque.

“Impostor”, “Otário”, “Safado” e “A rua não precisa de porta-voz” foram algumas frases pichadas nas paredes da mostra na Galeria Crivo. Também havia referências ao pichador conhecido como Guigo, que morreu em 2011 ao cair de uma altura de 10 metros enquanto escrevia num edifício em São Paulo. O grupo o trata como um mártir da atividade.

No ataque, cinco telas foram cobertas de tinta, uma foi arrancada da moldura e jogada ao chão, e tubos de spray e pegadas de tinta estavam por todo o chão. Os próprios agressores documentaram toda a ação, que durou cerca de meia hora.

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Dois rapazes chegaram à galeria às 15h30, sob o pretexto de visitar as exposições. Um deles portava uma câmera. Já no interior, levaram o funcionário que cuidava da mostra para os fundos e anunciaram que tinham diferenças com Choque e que iam “fazer uma coisa” com suas obras, e advertiram que não tinham nada pessoal contra a galeria e as pessoas ali – mas não aceitariam reação.

Choque é especializado no universo das inscrições clandestinas de fachadas. Ele teve uma mostra, Pixação SP, exposta em 13 países, e integrou a equipe do documentário Pixo, dirigido por João Wainer. Segundo declarou no programa da exposição, fotografa pichações com o intuito de ajudar a desvendar o universo codificado da atividade. “Há muita discussão sobre esse tema. Na mostra, e em todo o meu trabalho, as pessoas podem perceber o quanto tudo isso é onipresente em nosso cotidiano.”

A agressão que o artista sofreu virou mais que uma evidência da onipresença da pichação, mas também de seu zelo pela ilegalidade. Choque acompanhou pichadores pela cidade por 4 anos. Quando seu trabalho saiu da esfera da documentação para a das galerias, seus antigos amigos resolveram retaliar o artista por “ceder ao comércio”. A galeria acredita que eles já tinham vindo antes para saber o que as fotografias retratavam, quais cenas.

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Já houve atentados de pichadores à Bienal do Vazio (uma pessoa foi condenada) e também à galeria Choque Cultural, ambos em 2008. Desta vez, na Galeria Crivo, eles fizeram uma espécie de trato: avisaram que destruiriam as fotos de Choque, mas não fariam danos às dos outros dois em exposição na Crivo, Vivi Bacco e Julieta Bacchin.

O proprietário da galeria estava envolvido com as providências a respeito do caso e preferiu não se manifestar. O artista, temendo retaliação, não quis conversa. A polícia, chamada, fez perícia no local ontem à noite e examinou as obras danificadas. Segundo fontes, já tem pistas dos agressores.

* Publicada originalmente em El Pájaro que Come Piedra

  1. denner Responder

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk eles DESTROEM …

  2. O Cara das Ruas Responder

    Apontar o dedo e dizer “bem feito”, passa longe de ser uma atitude nobre. Mas no caso deste acontecimento, o julgamento se faz presente e satisfeito.
    Tirar benefício individual e se aproveitar da vulnerabilidade de pessoas que anseiam algum reconhecimento na sociedade é no mínimo uma atitude de quem não conhece nada daquilo que se diz ser mestre, a rua. Faltou humildade, sinceridade e senso de coletividade para esse individuo. Foi cobrado e agora ficou claro pra todos, quem sao os reais “artistas” da pixação.

    • Ed Oliver Responder

      Pichação nunca foi arte, nem protesto nem nada é só vandalismo, otários que insistem em se sentir super heróis espalhando sujeira pela cidade que o façam nas saias de suas mamães! Alguns mais espertos aprenderam arte e viraram excelentes Grafiteiros estes sim verdadeiros artistas , pixador é só lixo.

  3. José Responder

    Que ironia, o Adriano acompanhou a invasão da galeria Choque Cultural

    A matéria da Vice aborda melhor a questão
    https://www.vice.com/pt_br/read/pixadores-atacam-exposicao-do-choque-na-galeria-crivo

  4. gabriel Responder

    A arte, antes de ser uma expressão de coletividade, é um expressão individual com fins lucrativos, e não há nada de errado em fazer arte com fins lucrativos. Cada um merece seu espaço. O pessoal da rua merece seu espaço, o pessoal que nunca foi da rua também merece espaço e respeito, e o pessoal que quer estar tanto na rua e na galeria também merece espaço e respeito.

  5. Rodrigo Nunes Responder

    Galera, atualiza isso aí. O ato não teve nada haver com o “ceder ao comercio” mas com a alegação de que o fotografo não pediu autorização alguma aos pichadores envolvidos e tem exposto comercialmente o trabalho deles sem consentimento. Ele se juntou aos pichadores para fazer um trabalho de faculdade e depois disso se afastou expondo trabalho alheio. Mais seriedade aí na apuração por favor.

  6. Pedro Responder

    daí que uns sentem o vazio (HONORATO, 2009), outros sentem o saco cheio.
    galeria de arte é feita pra isso, a experiência estética é universal <3

  7. Sebastião Responder

    Chamar de “trabalho” a pintura de uma propriedade alheia e contra a vontade do dono e com rabiscos horríveis é uma piada.

  8. Rafael Domingues Responder

    Pixação é protesto sim, pixação é a voz do moleque que nunca foi porra nenhuma e hoje pelo menos na micro bolha cultural da pixação ele é reconhecido. Tudo que é criado na periferia nunca é protesto, pixação é vandalismo, funk é a ruina do jovem, rap só propaga a violência, enquanto a elite escolher o que é cultura, o que é protesto e o que é arte, estamos bem FODIDOS.
    Esse malandro é um safado que usou da morte do Guigo pra se promover, mesmo a familia dele vetando a publicação do vídeo, ele tá montado na grana e a família do Guigo tá aonde? Na mesma…

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