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Superprodução Criolo-Emicida

O encontro é impressionante pela gravação hi-tech em DVD, mas o CD ao vivo rende bons e belos momentos musicais. Os paulistanos Criolo Emicida unem forças para o projeto Criolo & Emicida ao Vivo, distribuído pela multinacional Universal Music. É quase um “best of”, com cada artista revisitando seus raps mais bem-sucedidos, ao som de banda black pesado pilotada por Daniel Ganjaman.

images-1Emicida seleciona “Triunfo” (2009) “Rua Augusta” (2010), “Zica, Vai Lá” (2011) e “Dedo na Ferida” (2012). Criolo recupera apenas uma (“Demorô”) do primeiro e até hoje pouco conhecido CD, Ainda Há Tempo (2006) e enfileira os raps de Nó na Orelha (2011) que a plateia canta em coro: “Mariô”, “Subirusdoistiozin”, “Grajeauex”, “Bogotá” e, obviamente, o hino-achado “Não Existe Amor em SP”.

Uma bela dobradinha de estilos musicais misturados se faz na colocação, lado a lado, de “Linha de Frente” (2011), de Criolo, e “A Cada Vento” (2009), de Emicida. Na primeira, o Pagode da 27 é citado e o cantor Rodrigo Campos vem cantar com Criolo o samba-rap de melodia inspirada na velha “Tristeza Pé no Chão” de Clara Nunes. Na segunda, Emicida mistura rap e reggae numa canção praieira (“hoje de manhã, atravessando o mar/ vou me perder, vou me encontrar/ a cada vento que soprar”) que faz alusão distante aos sambas de Dorival Caymmi.

A misturança termina em rap de raiz: Mano Brown chega para reprisar, com os dois sucessores (e o coral rapper da plateia  do Espaço das Américas, em São Paulo) os hinos dos Racionais MC’s “Capítulo 4, Versículo 3″ (1997) e “Vida Loka I” (2002). A história se faz, e os intelectuais periféricos festejam.

(por Pedro Alexandre Sanches)