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O power-samba de Alcione

alcioneeternaalegriacapacdEla pode – e como pode. Alcione andou desfrutando da liberdade (nem sempre concedida e reconhecida) de cantar deslumbrantemente bem e passeou, em anos recentes, por música romântica e MPB, jazz e chanson francesa. O novo Eterna Alegria (Marrom Music/Biscoito Fino) se inicia com um aceno sensacional ao samba de fundo de quintal. Estaria uma de nossas mais completas intérpretes se resignando, mais uma vez, aos domínios do samba, que ela governa como ninguém?

Mais ou menos. Já a segunda faixa, “Ê, Ê”, é um samba-canção daqueles romanticões que ela adora, com versos reveladores como “ninguém vai me ver tristonho, jamais”. Os autores, em tempo de fusão de gêneros musicais, são o blues-emepebista Djavan e o pop-sambista Zeca Pagodinho. Na terceira faixa, “Bate Palma Aê”, a semideusa da canção brasileira retoma o samba, mas sob arranjo de traços grandiloquentes, à moda de um Roberto Carlos em fase “Emoções” (1981). Esta é Alcione.

A feira musical prossegue com samba-rock-exaltação (“Produto Brasileiro”), candomblé de Arlindo Cruz (“Ogum Chorou Que Chorou”), tambor de crioula maranhense (“Chapéu de Couro”), pop cafona de calibre (“Sentença”), gafieira pop de Jorge Aragão (“Por Ser Mulher”), gafieira de raiz (“A Dona Sou Eu”), pop-MPB de Ana Carolina (“Pontos Finais”), pagodão de tutano (“Conversa Fiada”). O cardápio é para lá de diversificado, num álbum inspirado no qual o power-samba é a bússola.

 

(por Pedro Alexandre Sanches)