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Filho de peixe peixinho é

Divulgação

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A foto ao lado engana. Armínio Fraga? O que o ex-presidente do Banco Central (governo Fernando Henrique Cardoso) está fazendo aqui? FAROFAFÁ não errou – ou talvez tenha errado feio, mas são os leitores que vão dizer. Sylvio Fraga é o músico que tem a cara do pai. Filho de peixe, peixinho é? Os dois são economistas, mas a semelhança para por aí. Quem lê o release de divulgação de seu primeiro disco, Rosto, não encontra referências a Armínio. Um sinal de que o cantor quer trilhar um caminho próprio.

Sylvio Fraga morou alguns bons anos nos Estados Unidos, acompanhando o pai, que dirigiu a Soros Fund Management, do empresário George Soros (sim, aquele que ficou bilionário fazendo apostas especulativas no mercado financeiro). Seu gosto musical passa por nomes da língua inglesa, como Beatles, Brad Mehldau, Charles Mingus, Paul Simon e Flying Lotus (indicações que ele nos sinaliza em seu blog recém-inaugurado). Mas também por João Bosco, que ele ouvia muito na adolescência.

Rosto é um disco com 12 faixas, a maioria delas compostas por ele próprio – algumas em parceria com outros artistas – enquanto fazia mestrado em poesia na New York University. Soa pretensioso, mas também sofisticado. É um disco meio bossa, meio jazzístico. É um tanto experimental – e, segundo o release, foi gravado de forma independente “na tranquilidade de um estúdio caseiro”. Para o álbum, ele formou um trio, que se completa com Mac Willian Caetano, na bateria, e Marcio Loureiro, no baixo elétrico. Destaque para os arranjos bem construídos, sobretudo nos solos de flugehorn de José Arimatéa para as músicas “Máquina do Tempo/ Bola de feel gude”, “Embalo” e “Circus”. Nesta última faixa, Armínio Fraga engrossa o coro. Mas é uma participação bem discreta.

(por Eduardo Nunomura)

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