Está marcada para hoje, 21 de maio de 2011, às 14 horas, no vão livre do Masp, a concentração para a edição 2011 da Marcha da Maconha em São Paulo.

Como de hábito, a Justiça já se abateu sobre a garotada e quer proibir a manifestação. E os manifestantes respondem: Marcharemos!

Estranho juiz, esse Teodomiro Mendez, estranha essa Justiça. O que segue no quadro acima é um pouco do que a música popular brasileira já aprontou em torno do mesmo tema. Houve, sim, prisões, proibições, censuras. Mas muitas dessas canções foram e são cantadas ao ar livre, sem nunca conhecer a mão pesada da Justiça ou de justiçadores.

Se a MPB estará ou não presente na marcha, são outros 500. Mas no canto do cisco, no canto do olho, ao ar livre, os meninos ainda dançam.

Abaixo, segue a lista de músicas e intérpretes:

1. Paulinho da Viola, “Chico Brito” (1979) – O samba de Wilson Baptista e Afonso Teixeira é de 1950. Chico Brito? “Dizem que fuma uma erva do norte…”
2. Baby Consuelo e Pepeu Gomes, “O Mal É o Que Sai da Boca do Homem” (1980) – Essa passou nas barbas da Censura, mas acabou na delegacia.
3. Virguloides, “Bagulho no Bumba” (1997) – De quem é o bagulho que puseram no banco de trás? Meu é que não é, é de quem está de pé.
3. Bezerra da Silva, “A Semente” (1987) – Quem plantou esse matoí no quintal? Eu é que não fui, isso nasceu aí.
4. Erasmo Carlos, “Maria Joana” (1971) – Maria Joana?, marijuana? “Só ela me traz beleza nesse mundo de incerteza.” Coautor: Roberto Carlos.
5. Chico Science & Nação Zumbi, Gilberto Gil e Marcelo D2, “Macô” (1996) – Gilberto Gil e Marcelo D2 nos vocais, Jorge Ben tossindo fumaça no sampler de “A Minha Menina” (Mutantes, 1968).
6. Planet Hemp, “Queimando Tudo” (1997) – Já era final do século XX. Mas rendeu cadeia para Marcelo D2 e seus parceiros de Planet Hemp.
7. Mutantes, “Ando Meio Desligado” (1969) – Primeira versão, lançada em compacto. Arnaldo Baptista, Rita Lee e Sérgio Dias nem sentiam seus pés no chão.
8. Paulo Diniz, “Ponha um Arco-Íris na Sua Moringa” (1970) – O que significaria por um arco-íris na moringa?, ficar lelé da cuca num dia de sol?
9. Gilberto Gil. “Abra o Olho”(1974) – Em seu momento mais viajandão, Gil pinga colírio na pupila, na íris, no olho.
10. Raul Seixas, “Como Vovó Já Dizia (Óculos Escuros)” (1974) – Raul e Paulo Coelho emplacaram o colírio da vovó na Globo, na trilha de “O Rebu”.
11. Novos Baianos, “A Menina Dança” – (1972). Gil abre o olho, Raul usa óculos escuros. No olho de Baby Consuelo, a pupila dança.
12. Mauro Celso, “Fumaçá” (1975) – Mauro Celso, autor de “Farofa-Fá” e “Bilu Teteia”, deu suas baforadas: “Quero ver a lenha queimar”.
13. Golden Boys, “Fumacê” (1970) – A inocente jovem guarda se envenena depois da queda. “Tem alguém queimando coisa, tá botando pra quebrar…”
14. Marcelo D2, “Fumaça Sonora” (2003) – O sagaz homem-fumaça segue em estrada solo e sampleia… “Fumacê”, dos Golden Boys.
15. MC Orelha, “Fumo Mermo” (2010) – “Muito crazy”, o funkeiro carioca MC Orelha enfrenta a própria mãe: “Eu fumo mermo”.
16. Bezerra da Silva, “Malandragem Dá um Tempo” (1986). Bezerra é dono do maior clássico do gênero: “Vou apertar, mas não vou acender agora”.
17. Mr. Catra, “Cadê o Isqueiro?” (2010) – Catra aperta, acende e põe fogo na hipocrisia – e nos próprios neurônios. Canção de protesto versão século XXI.
18. Gal Costa, “Barato Total” (1974) – Mais uma da fase maluco-beleza do compositor Gilberto Gil – e ele está tão esquecido quanto Mr. Catra.
19. Novos Baianos, “Dê um Rolê” (1971) – Versão autoral da canção mais conhecida com Gal Costa. “Dar um rolê” significava aquilo mesmo…
20. Guilherme Lamounier, “Cristina” (1970) – Ir “ver Cristina” também significava aquilo, para a turma do agitador cultural Carlos Imperial.
21. Tim Maia, “Cristina N° 2” (1970) – No LP de estreia de Tim, ele via Cristina duas vezes, em versão lenta e nesta, mais acelerada.
22. Marcos Valle, “Tiu-Ba-La-Quieba” – (1973). O cara “não cuidou da cuca” e “uma língua estranha pôs-se a falar”. Deu “bobeira, asneira, besteira”.
23. Azymuth, “Linha do Horizonte” (1975) – Música para “morar”, “virar pássaro de prata”, “voar”, “pousar”, viajar.
24. Cassiano, “Onda” (1976) – Soul marítimo, para ir na onda – e/ou para viajar no arranjo soul-psicodélico.
25. João Donato, “Bananeira” (1975) – “Bananeira não sei, bananeira sei lá, bananeira sei não, a maneira de ver.” Alguém explica?
26. Raul Seixas, “Check-Up” (1973) – Em letra mantida inédita até 1988, Raul tenta curar-se da paranoia química com… outros tipos químicos.
27. Rita Lee & Tutti Frutti, “Bruxa Amarela” (1976) – O “Check-Up” de Raul em versão mais branda. Rita abre a janela e vê a bruxa cruzando a grande lua amarela.
28. João Donato e Gilberto Gil, “A Bruxa de Mentira”(1975). A bruxa visita Donato e Gil – mas é de mentira, “bombom de rapadura”, “saborosa figura”.
29. Gilberto Gil, “Kaya n’Gan Daya” (2002) – Gil abrasileirou o cigarrão de Bob Marley – e ainda o fundiu com o “caia na gandaia” das Frenéticas.
30. Black Alien, “Babylon by Gus” (2004) – Do Planet Hemp, Black Alien trouxe o espírito reggae de Marley, o pai de todas as kayas.
31. Otto e Bebel Gilberto, “Bob” (1998) – “De tarde, na praia, o que ela gosta é de fumar, beijar seu noivo…”
32. Criolo, “Sucrilhos” (2011) – Ei, maconheiro, playboy. Tem a manha de ouvir o protesto que Criolo tá a fim de te mandar?
33. Cilibrinas do Éden, “Bad Trip (Ainda Bem)” (1973) – Às vezes acontece: “Que grilo, que bode, bad trip”.Rita Lee deixou inédita até virar “Shangrilá” (1980).
34. Arnaldo Baptista, “Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki?” (1974) –  “A gente queimou muita coisa por aí.” Arnaldo era velho, mas gostava de viajar.
35. Odair José, “Viagem” (1975) – Odair convence a namorada: “Sei que você tem vontade, mas de repente o medo lhe invade e você não vem”.
36. Zeca Pagodinho, “Maneiras” (1987) – Zeca prega a liberdade e o livre-arbítriu – viu, doutor juiz?
37. Pepeu Gomes, “Planeta Vênus” (1982) – Pepeu navega até a lua, até as estrelas, até o planeta Vênus. Sem sair do lugar.
38. Rita Lee & Tutti Frutti, “O Toque” (1975) – “Meus olhos mudaram, eu sei, eu sei, ou foi o som que mudou?” É, talvez fosse mais que apenas macô…
39. Ronnie Von, “Espelhos Quebrados” (1969). O príncipe iê-iê-iê vira tropicalista-psicodélico: “O amarelo fica azul”, “os marcianos vêm chegando”.
40. Zé Ramalho, “A Dança das Borboletas” (1978) – O áspero psicodélico Zé Ramalho roda na “dança louca das borboletas”.
41. Ultraje a Rigor, “Mim Quer Tocar” (1983) – “Mim é batuqueiro, conheiro”, bradam os rokcíndios do Ultraje, na primeira versão deste reggae.
42. Lulu Santos, “Chico Brito” (1997) – Que Wilson Batista?, que Paulinho da Viola? “Chico Brito”, em versão dance, er, modernizada.

 

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