Cia La Mínima se apresenta em escolas, praças e campos de futebol em São Paulo
Cia La Mínima se apresenta em escolas, praças e campos de futebol em São Paulo - - Foto Eduardo Nunomura

Até 6 de novembro, a Cia La Mínima percorre bairros da periferia de São Paulo a bordo de um ônibus ano 1985. Velhinho, quase caindo aos pedaços. Mas é só o veículo chegar nos locais, estacionar, e a trupe começa a montagem do espetáculo. Uma lateral do veículo é “despedaçada” para virar um palco. Suas janelas viram balcões, o palco se projeta do interior do ônibus, e a parte que resta vira uma coxia improvisada. Começa a apresentação e logo surge o sorriso fácil, como o que se viu entre os alunos do CEU Veredas, no Itaim Paulista, na segunda-feira 7 de outubro. É difícil não se deixar levar por esse tipo de circo ingênuo, pelas esquetes de rua previsíveis, mas sempre cômicas.

Escolas públicas da Guarapiranga ao Parque São Rafael, uma praça no bairro de José Bonifácio, um equipamento cultural na Brasilândia e um campo de futebol no Capão Redondo ainda vão receber a visita do inusitado “ônibus palco”. O mais novo projeto do grupo circense, fundado em 1997, resgata a sua origem. A dupla de palhaços Fernando Sampaio e Domingos Montagner se conheceu em 1989 no Circo Escola Picadeiro. “Nos primeiros dez anos do La Mínima, fizemos praticamente só rua. O último espetáculo desse tipo foi o Rádio Varieté, em 2011”, lembra Sampaio. 

As apresentações, gratuitas, fazem parte do projeto “Palhaços nas Ruas”, realizado pela Prefeitura paulistana em parceria com a ONG Palhaços sem Fronteiras. A ONG atua no Brasil desde 2016, com foco no acolhimento de refugiados de zonas de conflito, desastres ecológicos ou vulnerabilidade social. A entidade é constituída por cerca de 35 artistas, a maioria de São Paulo, mas está onde houver crise humanitária no País, como em Brumadinho, Altamira ou com os guaranis kaiowás. Um de seus projetos é o Ocupa Riso, que leva o humor para ocupações habitacionais, no centro ou nas periferias, onde muitas vezes não há escola e a cultura não costuma chegar. “Quando a gente está com alegria, temos mais força para lutar com afeto”, diz Aline Moreno, da Palhaços sem Fronteiras. 

Palhaços nas Ruas. Com Cia La Mínima e Palhaços sem Fronteiras. De 12 de outubro a 6 de novembro. Programação em laminima.com.br/agenda

OS PALHAÇOS EM GUERRA

"Ordinários", da Cia La Mínima
Cena de “Ordinários” – Foto Carlos Gueller

A Cia La Mínima está com outro espetáculo em cartaz, Ordinários, numa variante quase oposta ao projeto que leva o circo para os extremos da cidade. Ele está sendo encenado no requintado Teatro Vivo, localizado próximo a um centro empresarial nobre da capital, a região da Berrini. Nesta montagem, os atores Fernando Paz, Fernando Sampaio e Filipe Bregantim vivem três soldados encarregados de invadir um território inimigo para resgatar um comandante. Um é dado a valentão, outro é atrapalhado e o terceiro tem medo de ir para a guerra. Tudo o que pode dar errado dá. 

“Tira um chip, põe outro chip e vamos atuando, a nossa história é assim”, diz Sampaio para explicar sobre como é atuar em dois espetáculos simultâneos. Os três atores conceberam esse texto circense, com roteiro escrito por eles, por Newton Moreno e Álvaro Assada, que assina a direção. A peça, cujo mote remeteria a uma situação trágica, ganha contornos cômicos diante das cenas de palhaçaria do trio.

Ordinários – No Teatro Vivo (Av. Dr. Chucri Zaidan, 2.460, São Paulo), às quartas e quintas-feiras, às 20 horas, até 12 de dezembro. Ingressos a 40 reais

 

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