Companhias, grupos, coletivos, artistas e pesquisadores reúnem-se na primeira edição do Festival de Teatro Negro de São Paulo, batizado com o nome de Dona Ruth. O evento homenageia Ruth de Souza, falecida em julho e um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira. De 19 de outubro a 3 de novembro, a unidade Interlagos do Sesc São Paulo reúne mais de 20 atrações, que vão de peças a performances, rodas de conversa a leituras dramáticas.

É uma oportunidade para rever importantes montagens, como a impactante Buraquinhos ou O Vento É inimigo do Picumã, da Cia Carcaça de Poéticas Negras. A peça, apresentada no dia 26, conta a história de um menino negro, do bairro paulistano de Guaianases, que leva um “enquadro” de policiais numa simples ida à padaria. Decidido a mudar essa sina, o jovem começa a correr sem parar, até que é alvejado por 111 tiros disparados por um policial. São 111 perfurações de bala, que formam os “buraquinhos” em seu corpo. A referência numérica é sobre o massacre do Carandiru, de 1992, mas o extermínio da população negra e periférica não cessou desde então.

O festival rende ainda um tributo a grupos mais antigos do teatro negro, fundados entre 2000 e 2008, como Invasores Cia Experimental de Teatro Negro, Cia Os Crespos, Coletivo Negro, Capulanas Cia de Arte Negra e Clarianas. Este último grupo, liderado por três cantoras e atrizes, investiga a voz da mulher ancestral na música popular brasileira e se apresenta dia 3 de novembro. Um dia antes, uma roda de conversa traz um debate sobre a história do teatro negro no País.

 

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