O título O Amor no Caos, do maranhense Zeca Baleiro, ganha um segundo volume cinco meses depois, e flagra o artista com o mesmo humor de antes: triste, desolado. Às 11 canções do primeiro volume, somam-se mais nove, sempre em modo menor e sob arranjos discretos. “Troco a minha morte por mais sete vidas”, ele sobrevive em “Sete Vidas”, seguindo a estratégia do volume 1, de povoar as canções tristes com palavras otimistas, ou quase. “Quando cheiro flores eu espirro/ mal desperto e já tudo desejo/ (…) quando durmo sonho com papoulas/ quando acordo já são onze horas”, continua, algo indeciso, em “Quando Cheiro Flores”. Eu quero crer/ que o tempo é justo/ que a dor não nos matará, sonha “Canção do Mundo Imperfeito”, tristíssima.

Se no primeiro volume havia a participação luminosa do rapper Rincon Sapiência, aqui quatro cantoras dividem com Zeca o modo menor das canções: Diana Pequeno (em “Canção da Chuva”), Jade Beraldo (“Quando Cheiro Flores”), a portuguesa Susana Travassos (“Rondel”, em francês) e Tatiana Parra (“Riverside Road”, em inglês). A capa colorida (ainda que um tanto fantasmagórica) tenta dispersar a bruma, mas mesmo canções mais mimosas, como “Tomie Ohtake”, enfrenta a amargura para homenagear a artista plástica morta em 2015 e o edifício que lhe abriga o instituto: “Uma cerveja e a tarde fica mais bonita/ a cidade sente/ e pulsa nervosa/ a saudade mata a gente”. A chuva aparece como elemento redentor, sobretudo na faixa inicial, “Chovia no Canavial”. O caos segue vencendo o amor, por 7 a 1.

O Amor no Caos – Volume 2. De Zeca Baleiro. Saravá Records/ONErpm.

 

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