Katu Mirim
A artista indígena Katu Mirim, um dos destaques do festival de música indígena YBY Festival, em São Paulo

NAÇÕES INDÍGENAS REALIZAM SEU PRIMEIRO FESTIVAL NACIONAL DE MÚSICA EM SÃO PAULO, NA UNIBES CULTURAL

 

Demorou alguns séculos, mas finalmente acontecerá o primeiro festival nacional de música indígena do País, o YBY Festival, em São Paulo. Rock, MPB, funk, heavy metal e forró como os ouvem, veem e interpretam as culturas indígenas estarão no palco da Unibes Cultural entre os dias 29 e 1 de dezembro.

É uma mostra multimídia: além da música, tecnologia, moda e gastronomia típica, durante todo o festival os povos indígenas das cinco regiões do país exibirão e comercializarão artesanato, mobiliário e peças de arte.

“O Brasil nunca foi bom para com os povos indígenas, mas nós, povos indígenas, somos bons para o Brasil e, nesse momento, o festival tem a missão de colaborar para com a memória, a história e a resistência”, disse Anápuàka Muniz Tupinambá Hã-Hã-hãe, cofundador da Rádio Yandê, organizadora do festival.

Os artistas do cast do festival são estrelas em suas aldeias e fora delas: a cantora Djuena Tikuna, por exemplo, tornou-se no ano passado a primeira indígena da Amazônia brasileira a ser indicada ao Indigenous Music Awards, o maior prêmio mundial da música indígena, em Winnipeg, no Canadá. Djuena foi indicada à categoria de “Melhor Artista Indígena Internacional”.

Além de Djuena, estão na programação shows de Arandu Arakuaa, Brisa Flow, Bro’s MCs, Edivan Fulni-Ô, Gean Ramos Pankararu, Ian Wapichana, Katu Mirim, Nory Kayapó, Oz Guarani, Oxóssi Karajá, Wakay, Wera MC, Suraras Do Tapajós e o Grupo Mãnã Runu Keneya. “O que sustenta o corpo é a identidade. Me reconheço como mulher indígena desde criancinha”, disse a cantora Brisa Flow.

Segundo Anápuàka, o País precisa de eventos dessa natureza para que a população conheça “a ancestralidade dessa nação plurinacional com diversidade de línguas indígenas, já que o Estado não faz a sua parte”. Compartilhar, diz o organizador, é uma palavra-chave de resistência, num momento em que aumentam os crimes contra as nações indígenas.

O festival contará ainda com food trucks e chefs de cozinha que farão releituras da cultura alimentar indígena no pátio da Unibes Cultural. Também será entregue, durante a mostra, o I Prêmio Galdino de Música Indígena, que celebrará os grandes nomes e as revelações da música indígena contemporânea. Galdino Jesus dos Santos foi um líder pataxó que foi a Brasília, em 19 de abril de 1997, para reuniões relativas à demarcação de terras indígenas no Sul da Bahia, onde vivia. Na madrugada de 20 de abril de 1997, cinco jovens da alta classe de Brasília (Max Rogério Alves, Antonio Novely Vilanova, Tomás Oliveira de Almeida, Eron Chaves Oliveira e Gutemberg Nader Almeida Junior) atearam fogo em Galdino enquanto ele dormia em uma parada de ônibus. 

As apresentações se darão em português e nas diversas línguas-mães de cada artista. Haverá o desfile de moda com uma coleção exclusiva assinada pela estilista Beni Kadwéu, da Aldeia Alves de Barros, localizada em Porto Murtinho, Mato Grosso do Sul. Também haverá a exposição RePangea — Uma Experiência Tecnoxamânica em Realidade Virtual (atualmente em exposição no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro). O festival foi realizado por financiamento coletivo e ainda necessita de contribuições (arrecadou 23 mil reais dos 30 mil pretendidos).

YBY Festival. Unibes Cultural (Rua Oscar Freire, 2.500). 29 de novembro a 1 de dezembro. Das 10h às 19h. Grátis.

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