Capa do EP Escória, de Zeca Baleiro
Zeca Baleiro transforma a indignação em carnaval no EP Escória, de quatro marchinhas leves na forma, mas cortantes feito faca afiada no conteúdo

O maranhense Zeca Baleiro transforma a indignação em carnaval no EP Escória, de quatro marchinhas leves na forma, mas cortantes feito faca afiada no conteúdo. A faixa-título começa fazendo a crônica ácida dos dias que correm: Escória, escória/ nem fodendo vocês vão conseguir entrar pra história/ vou lhes dizer o que é política/ o vagão de lixo passa e o trem da história fica/ vou lhes dizer o que é arte e cultura/ não vai crescer nem capim sobre vossa sepultura.

Bichos Escrotos II faz citação ao rock dos Titãs em 1986 e segue a toda carga: O Brasil abriu a tampa do esgoto/ só bichos escrotos/ só ratos, só ratos/ esses diabos querem acabar com tudo/ com a civilidade/ com a nossa alegria/ nossa vingança vai ser de doer/ porque seremos felizes como eles não podem ser. Passados os recados aos governantes, Você Não Quer Dividir o Avião remete-se também aos eleitores: Você não quer dividir o avião/ com pobre, né, irmão?/ se você pudesse você viajava em dois assentos/ seu ego gigante não sabe o que é constrangimento/ a riqueza é uma casa nos ares/ acima da miséria que aflige milhares. Sobra para os eleitores ditos religiosos: E ainda por cima você fala em nome de Cristo/ acha que o reino dos céus é seu/ ai, meu Deus, ai, meu Deus, olhai pra isso/ por que fala em Cristo se age como fariseu?

O último recado, Babaca Mané, vai para o já defenestrado secretário de Cultura Roberto Alvim e para seus pares: Respeita Fernanda Montenegro, babaca/ tu saiu de que cloaca?/ respeita Martinho da Vila, mané/ você não vale nem a sola do seu pé. As chances de as marchinhas de Zeca Baleiro emplacarem no Carnaval são nulas, se valer o estado de acomodação e apatia em que nos encontramos.

Escória. De Zeca Baleiro. Saravá.

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