Regina Duarte na Ancine
A atriz Regina Duarte em bizarro vídeo na frente da sede da Ancine, feito em sua fugaz passagem pela Secretaria Especial de Cultura

Em negociação com o chamado “Centrão” do Congresso para barrar andamento de processos de impeachment contra si, o presidente Jair Bolsonaro recebeu listas e mais listas de pedidos e exigências desse bloco. Um desses pedidos acaba de chegar à Secretaria do Audiovisual do governo com exigências do Centrão e reivindica dois postos na direção da Agência Nacional de Cinema: um cargo de direção na Diretoria Colegiada e a presidência.

Os pedidos, segundo fontes, advém de uma ala do partido relacionada à indústria audiovisual. A interlocutora seria a deputada federal Soraya Santos (PR-RJ), primeira secretária da Câmara, e o deputado Áureo Ribeiro (Solidariedade-RJ). O primo de Áureo, César Ribeiro, é presidente da RioFilme, estatal de cinema do Rio de Janeiro. Recentemente, esse grupo tentou colocar o produtor Gustavo Rolla na diretoria de investimento da RioFilme, ele chegou a ser incorporado ao grupo de WhatsApp da estatal, mas o prefeito Marcelo Crivella acabou vetando o nome. Rolla foi assessor internacional do ex-diretor presidente da Ancine, Christian de Castro, afastado e réu na Justiça por improbidade e enriquecimento ilícito.

Como a presidência da Ancine, nesse momento, está interinamente na mão de Alex Braga Nunes, que é procurador de carreira mas com ligações no partido, o Centrão sugeriu a manutenção de Braga como diretor-presidente após seu mandato expirar. No dia 16 de abril, Alex Braga Nunes nomeou para a Ancine um gestor condenado por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito, Paulo Cesar Mello Braga, para a Gerência de Tecnologia de Informação da agência (setor que lida com os contratos mais vultosos). Paulo Cesar também teria sido indicação da deputada Soraya Santos (ele consta como doador, como pessoa física e jurídica, da campanha da deputada, segundo informações que constam do site do TRE), o que reforça os indícios do interesse desse grupo político no controle da agência nacional de cinema.

Alijada das decisões e despachando de São Paulo, a Secretária Especial de Cultura, Regina Duarte, não tem o menor conhecimento dessas movimentações. A Ancine é vinculada à secretaria que ela dirige, mas tem diretoria colegiada e não submete suas decisões à secretária. Especula-se que a atriz, nomeada há pouco mais de um mês, será demitida por Jair Bolsonaro a qualquer momento.

 

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