Parece natural que Ennio Morricone, às vésperas de completar 89 anos, esteja compondo menos trilhas sonoras por ano atualmente. Entre 1961 e 2016, ele produziu 431 trilhas para filmes, o que dá uma média de oito trilhas por ano. Mas o motivo não é o esgarçamento do artista, muito pelo contrário: é que o maestro italiano Morricone entra em 2018 conduzindo a turnê 60 Years of Music Tour por nove cidades europeias, regendo cerca de 200 músicos e cem cantores.

O mais prolífico dos compositores (talvez desde a época de Rossini e Donizetti) não sabe o que é cansaço. Épicos de gângster, duelos seminais, aventuras em terras intocadas: sua música conhece até o som de coisas que ainda não foram reveladas. “Saber quando não dizer nada é dizer tanto quanto se estivesse dizendo”, diz o maestro, mestre em grandes silêncios e sons subliminares. Em 2016, ele ganhou seu primeiro Oscar de trilha sonora, pelo trabalho no filme Os Oito Odiados, de Quentin Tarantino.

No escurinho do cinema, as nossas expectativas de cenas de angústia, vibração, melancolia e indignação certamente têm alguma relação com as trilhas de Morricone. Daí a importância da mostra Sonora: Ennio Morricone, que o Centro Cultural Banco do Brasil organiza com 22 filmes musicados pelo compositor. De 24 de janeiro até 19 de fevereiro, filmes dirigidos por Terrence
Malick, Pasolini, John Carpenter, Samuel Fuller, Giuseppe Tornatore, Tarantino, Brian de Palma, Pedro Almodóvar, Barry Levinson, Sergio Leone e Bernardo Bertolucci, entre outros, mostram o artesanato desse artista incomparável. Os trabalhos com o mestre do western spaghetti, Sergio Leone, são certamente o ponto alto de tudo. Filmes como Por um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965) e TrêsHomens em Conflito (1966) mostraram o poder da música como elemento cênico. Tarantino chegou a Morricone pela via dos faroestes.

“Como vocês sabem, eu comecei fazendo arranjos para rádio e tevê, depois musicais e teatro.
Aí eu trabalhei para uma gravadora fazendo arranjos pop, e finalmente, as trilhas sonoras dos filmes. Então, foi esse leque de experiências que realmente me tornou proficiente e capaz de compor músicas diferentes para diferentes gêneros, e também diferentes experiências de anos e anos de trabalho”, ele afirma.

PUBLICADO NA REVISTA CARTACAPITAL EM JANEIRO DE 2018. MORRICONE MORREU HOJE  AOS 91 ANOS

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