Fotógrafo Miguel Peinado e sua câmera_

Será aberta nesta terça-feira, 15 de setembro, a partir da Casa Fiat de Cultura, em Belo Horizonte (MG), a exposição virtual Lambe-Lambe, uma sintonia entre os acervos da Casa Fiat e do Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo. O evento é de acesso gratuito, com transmissão nos canais do YouTube da Casa Fiat de Cultura e do Museu da Imagem e do Som (MIS-SP). Na abertura, às 17, a supervisora de Acervo do MIS-SP, Patricia Lira, bate um papo com a diretora de Patrimônio e Arquivo Público de Belo Horizonte, Françoise Jean.

O tema dos lambe-lambe (nome hoje revestido de um novo significado, cartazes que se colam pelos muros da cidade) forma uma das primeiras coleções do MIS-SP, base de sua fundação. Na exposição virtual, haverá destaque para o acervo do museu, com detalhes da realização da pesquisa que resultou na exposição, e sobre o ofício. A coleção do museu é do início dos anos 1970, e foi feita pelos estudantes de arquitetura Marcio Mazza e José Teixeira a partir de um projeto de pesquisa. São mais de 2 mil fotografias e 9 gravações de áudio. As imagens de lambe-lambes foram feitas no Jardim da Luz, na Praça da República, na Praça da Sé e no Parque da Independência.

Um dos trabalhadores da fotografia volante da Luz foi Antonio Roseno de Lima, de Campinas, que teve uma curiosa trajetória – depois da fotografia, passou a pintar retratos com uma perspectiva insólita, ingênua porém com uma abordagem única, que o projetou como um dos mais destacados artistas naif do País. A coleção não tem trabalhos de fotógrafo de Roseno. A exposição virtual irá gerar um e-book após sua exibição

Os fotógrafos de lambe-lambe surgiram no começo do século XX. Realizavam seu trabalho em praças, parques e outros espaços públicos, registrando momentos familiares e a própria cidade. “Faziam o trabalho que hoje o digital faz”, analisa o fotógrafo Juvenal Pereira, um dos mais destacados do País. “As pessoas faziam um registro ali de sua situação na grande cidade, e aí o fotógrafo revelava. A caixa com a qual trabalhava continha os produtos químicos para a revelação, a pessoa levava a foto para casa em pouco tempo e aí enviava para os parentes, era uma forma de se relacionar com os entes queridos distantes”. O acervo do MIS resgata essa importante tradição, que, embora muitos não saibam, continua sendo exercida até hoje.

O período mais próspero dos lambe-lambes ocorreu entre as décadas de 1920 e 1950. Em Belo Horizonte, o trabalho dos lambe-lambes ficou muito associado ao Parque Municipal Américo Renné Giannetti. Em 2011, o ofício de lambe-lambe foi instituído como Patrimônio Cultural do Município.

A mostra Lambe-Lambe e a live Lambe-lambe: fotógrafos de rua em Belo Horizonte e São Paulo são uma realização do Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do MIS – Museu da Imagem e do Som, instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo de São Paulo, e da Casa Fiat de Cultura. O patrocínio é da Fiat Chrysler Automóveis (FCA) e do Banco Safra. O bate-papo conta com apoio institucional do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), do Governo de Minas e do Governo Federal, além de apoio cultural do Programa Amigos da Casa, da Brose do Brasil e da Expresso Nepomuceno.

SERVIÇO
Exposição virtual: Conexão Casa Fiat de Cultura e MIS-SP: Lambe-Lambe
Meses de setembro e outubro, nas redes sociais da Casa Fiat de Cultura
Bate-papo online: “Lambe-Lambe: Fotógrafos de Rua em Belo Horizonte e São Paulo”
15 de setembro, das 17h às 18h – Canais do YouTube da Casa Fiat de Cultura e do MIS-SP

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