Painel de Romildo Rocha em exposição na Galeria de Artes do Sesc Deodoro. Foto: Guta Amabile
Painel de Romildo Rocha em exposição na Galeria de Artes do Sesc Deodoro. Foto: Guta Amabile

Um universo todo particular se descortina diante dos olhos dos visitantes da exposição “Paratodos”, de Romildo Rocha. Feito os maiores nomes das artes visuais brasileiras, a exemplo de J. Borges, Samico ou Osgêmeos – de quem certamente bebeu na fonte –, Rocha é dono de um traço único, original, mesclando técnicas – aquarela, pintura mural, desenho, técnicas mistas e até mesmo rascunhos – e temas diversos.

O forrobodó Paratodos. Foto: Guta Amabile
O forrobodó Paratodos. Foto: Guta Amabile

Rural e urbano convivem sem antagonismos, memórias afetivas passeiam por entre cores e preto e branco. O forrobodó para todos – de onde vem o nome da exposição, quiçá lembrando Chico Buarque –, disposto em três displays, convida o visitante a dançar por suas paisagens, entre lembranças dos antigos fotos (apenas onde era possível, até pouco tempo, fazer, por exemplo, fotografias 3×4, antes do advento dos smartphones), ambientes aconchegantes de bares e farmácias (antes do advento das grandes redes e sua impessoalidade), o universo encantado do bumba meu boi (em seus diversos sotaques) e dos pregoeiros – o vendedor de cuscuz Ideal com sua fina iguaria na cabeça – e citação a “Dia branco”, de Geraldo Azevedo, além de cenários como a Praia Grande.

Os espelhos retratam/refletem a diversidade brasileira. Foto: Guta Amabile
Os espelhos retratam/refletem a diversidade brasileira. Foto: Guta Amabile

Rocha exala nordestinidade – e maranhensidade – e é impossível não se ver ali. Literalmente: parte da exposição é feita daqueles tradicionais espelhos de moldura cor de laranja, encontráveis em qualquer mercado de respeito (ou não). Sobre a superfície, ele desenhou homens e mulheres, como se registrasse a presença de cada visitante para além de um livro de visitas e a diversidade dos que veem a exposição e, por que não dizer, do povo brasileiro.

O artista é perspicaz. Em “Alto amar” um pescador captura um peixe tão grande quanto o próprio barco em que navega, mas o peixe é abraçado por uma sereia, numa reconfiguração que junta a “Odisseia” de Homero e “O velho e o mar” de Hemingway às típicas histórias de pescadores de qualquer vila, entre tantas que há por estas bandas. “O povo aumenta mas não inventa”, diz o dito popular.

Miolo. Romildo Rocha. Reprodução
Miolo. Romildo Rocha. Reprodução

Em “Miolo”, o bumba meu boi vira chapéu do personagem que o faz dançar. Não é o boi que diminui: Rocha é que enaltece a grandeza de operários da felicidade que às vezes não têm o devido crédito em fichas técnicas. Por falar nisso, “Paratodos” tem expografia, montagem e iluminação assinadas por Edi Bruzaca e Larissa Micenas e curadoria do artista visual Dinho Araújo.

Também está exposta a tela “A noite que São Luís do Maranhão desapareceu”, serigrafia com tiragem limitada que causou frisson quando o artista rapidamente vendeu todas as cópias disponíveis assim que a anunciou em suas redes sociais. A tela mistura o ambiente de um bar (o Chico Discos, talvez) à lenda da serpente encantada que todo ludovicense conhece. Em suma, uma exposição necessária, para maranhenses ou não.

Serviço – A exposição “Paratodos”, de Romildo Rocha, fica em cartaz até o próximo dia 20 de dezembro, na Galeria de Artes do Sesc Deodoro (Av. Gomes de Castro, Praça Deodoro, Centro). As visitas podem ser agendadas pelo telefone (98) 32163826 – para grupos de no máximo seis pessoas, em atendimento às normas sanitárias diante da pandemia de covid-19.

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