A Banda de Pau e Corda. Foto: Diego Araújo/ Divulgação
A Banda de Pau e Corda. Foto: Diego Araújo/ Divulgação

“Missão do cantador”, primeiro disco de inéditas em 30 anos, marca retorno da Banda de Pau e Corda ao mercado fonográfico e faz jus à sua trajetória

Missão do cantador. Capa. Reprodução
Missão do cantador. Capa. Reprodução

Faixa que dá título ao novo disco da Banda de Pau e Corda, “Missão do cantador” (Sérgio Andrade) evoca “Nos bailes da vida”, de Milton Nascimento (e Fernando Brant) – a música também fala em “faca amolada” – no que diz respeito ao encontro de artista e público: “eu vou onde tenho que ir/ onde tem gente precisando ouvir/ por que na voz do cantador/ tem água pra matar a sede/ tem pão para matar a fome/ tem chave pra guardar segredo/ e abrigo pra quem não tem nome”, começa a letra.

Cordas e sopros dialogam harmoniosamente com os vocais, na sonoridade que marca desde sempre a trajetória coerente do grupo.

Em atividade desde 1972, a Banda de Pau e Corda, ao lado de outros nomes da música pernambucana, foi responsável por uma renovação na música popular brasileira, com sua sonoridade marcadamente nordestina.

Frevo, maracatu, ciranda e outras nordestinidades dão o tom em álbum inspirado, com capa de Elifas Andreato – capista também de “Arruar” (1978) – e produção musical de José Milton – que iniciou sua trajetória de produtor justamente com o grupo, assinando seus sete primeiros discos. “Missão do cantador” sai em cd pela Biscoito Fino e marca o retorno da Banda de Pau e Corda ao mercado fonográfico, após quase 30 anos sem um disco de inéditas. Toda a discografia da banda está disponível nas plataformas de streaming, inclusive este novo álbum, a partir de sexta-feira (23), data do lançamento (pré-save aqui).

A sonoridade de “Missão do cantador”, o disco, mantém características de trabalhos anteriores da Banda de Pau e Corda, sem nunca soar cansativo ou repetitivo. Agrada fãs da primeira fase do grupo e certamente ajudará a conquistar novo público.

Sérgio Andrade (voz, percussão e vocal), Júlio Rangel (viola e vocal), Sérgio Eduardo (contrabaixo), Zé Freire (violão e vocal), Yko Brasil (flauta transversal e pífano) e Alexandre Baros (bateria, percussão e vocal) contam com participações especiais de Mestre Gennaro (sanfona em “Estrela cadente”, de Waltinho e Sérgio Andrade), Zeca Baleiro (voz em “Tudo num balaio só”, de Natan Marques e Murilo Antunes), Chico César e Alexandre Rodrigues (respectivamente voz e pífano em “Fogo de braseiro”, de Sérgio Andrade) e Marcello Rangel (voz e violão em “Quer mais do quê?”, dele). A lista de convidados se completa com os instrumentistas Corró Zabumbeiro (em “Estrela cadente”), Raminho da Zabumba (em “Fogo de braseiro”) e Julio Cesar Mendes (sanfona em “Desvario”, de Sérgio Andrade).

“Missão do cantador” comprova o frescor e o vigor da Banda de Pau e Corda, que se precisou reinventar sua formação, aliou-se a nomes de diversas gerações da música nordestina para mostrar que mantém viva a sua vocação em um disco inspirado, à altura de sua própria história. Já não era sem tempo!

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