Minari, a obra do recomeço

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A grande América, os grandes planos, e ainda assim nem sempre o grandioso se torna real. Minari, que concorreu a Melhor Filme do Oscar, é uma história sobre recomeços, alguns deles longe de serem bem-sucedidos. Escrito e dirigido pelo sul-coreano Lee Isaac Chung (foi indicado para Melhor Diretor e Roteiro Original), o longa-metragem mostra a jornada de uma família de descendentes que, depois de migrar da Coreia do Sul, decide abandonar a urbana Califórnia por uma isolada fazenda no rural Arkansas dos anos 1980.

Chung escreveu Minari a partir de suas lembranças, quando ele e sua família migraram para o centro-sul dos Estados Unidos. Os cheiros da infância, a avó que cultivava plantas coreanas, os pais que se desentendiam sobre quase tudo, todos esses elementos estão presentes no longa. E são esses altos e baixos da vida, as falhas e os renascimentos de cada dia, que fazem do filme um dos principais concorrentes à estatueta. Se levar o prêmio, será a segunda vitória seguida de um diretor sul-coreano. Em 2020, Bong Joon-ho com Parasita conquistou Melhor Filme (o primeiro não falado em língua inglesa), Roteiro Original, Diretor e Filme Internacional.

Minari, título que no Brasil ganhou o acréscimo de Em busca da felicidade e tem estreia prevista para 22 de abril, conta a história da família patriarcal de Jacob Yi (Steven Yeun, indicado a Melhor Ator), casado com a cética Monica (Yeri Han) e pai de Anne (Noel Cho) e David (Alan S. Kim). Eles estão em busca do sonho americano, traduzido em 50 acres (20,2 hectares) e um solo fértil para o plantio de alimentos coreanos. Monica não esconde que odeia estar ali, distante de tudo e de todos, e tendo de morar em um trailer improvisado de lar, doce lar. Enquanto a plantação não vinga, o casal vive de separar pintinhos entre machos e fêmeas em uma granja.

A avó Soonja (Youn Yuh-jung, que ganhou o inédito Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), mãe de Monica, chega para ajudar a família, e é ela que repete a cena vivida pelo diretor na vida real. Em um pequeno curso d’água, acompanhada pelo neto David, ela resolve plantar as sementes de minari, que trouxe da Coreia do Sul. Ela explica, pacientemente, que o resiliente vegetal cresce como erva daninha, mas serve para remédio ou ensopados e é consumido por pobres ou ricos.

O drama trabalha com a construção de personagens puros, por vezes destituídos de malícia ou apartados da realidade, como se isso ainda fosse possível. Mas, refletindo uma marca da cultura oriental, centraliza a narrativa a partir das imagens masculinas, seja na do patriarca teimoso ou na do inocente neto. O recomeçar de uma vida, seja na Califórnia ou no Arkansas, era a promessa que Jacob e Monica se fizeram para salvar um ao outro ainda em seu país de origem. Mas nem sempre as coisas se sucedem como se planeja, e infortúnios acontecem, com ou sem intervenção divina.

Minari. De Lee Isaac Chung, Estados Unidos, 115 mins.

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