Há mais de 40 horas, produtores e artistas que procuram o site da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo (Secec), a segunda maior estrutura do setor no País, encontram uma página totalmente em preto. A cultura e a economia criativa respondem por quase 4% do PIB de São Paulo, mas a secretaria não soube informar, no sábado à noite, quando voltará a funcionar o seu site oficial de informações públicas.

Segundo informação oficial da Secec, o site caiu devido a “instabilidade de energia” em sua sede. Isso aumenta o mistério, porque quatro dias é um tempo mais que suficiente para se resolver qualquer problema de alimentação energética. Outra questão diz respeito à mensagem na página, que aponta o erro 503 – que indica uma dificuldade de processamento do servidor geralmente devido a uma sobrecarga temporária nos recursos do website. Observadores da atual situação da secretaria veem motivações que não as técnicas na queda abrupta do site, algumas delas de natureza jurídica. O site pode estar passando por um processo de “revisionismo” de oportunidade.

O secretário responsável pela pasta, Sérgio Sá Leitão, é questionado por coletivos de produtores e artistas por sua atuação na gestão da Lei Aldir Blanc, criada para distribuir renda básica emergencial devido à pandemia. O Estado de São Paulo recebeu R$ 264 milhões pela Lei Aldir Blanc e divulgou que destinaria até R$ 189 milhões para renda emergencial e R$ 75 milhões para financiamento de editais culturais. O secretário rebatizou esses editais como PROAC Lab, vinculando-os a programa do governo estadual. Leitão também é réu na Justiça por ações relativas ao audiovisual nacional, quando ministro da Cultura, e atualmente é investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

O mistério do website chama a atenção para a fragilidade tecnológica da secretaria, cujo maior programa público atual é a plataforma de streaming #CulturaEmCasa, criada para ampliar as opções de cultura e entretenimento online e gratuitas. Nos primeiros quatro meses de funcionamento, a plataforma alcançou a marca de 1,5 milhões de visualizações dos cerca de mil conteúdos disponibilizados, de diversas linguagens artísticas.

O site que caiu está, em tese, hospedado em um edifício que aparentemente não tem gerador, não tem backup, não tem segurança alguma. O mesmo edifício é o que abriga a Sala São Paulo, um dos maiores espaços de apresentações de música do Estado.

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