Cassiano (1943-2021)
Cassiano (1943-2021) - foto André Arruda

Terá um quê de farsesco qualquer texto jornalístico (inclusive este) que surja para lamentar a morte do soulman paraibano Cassiano, aos 77 anos, na sexta-feira, 7 de maio de 2021. Não demos a mínima para ele enquanto estava vivo. É um daqueles casos de artistas que se afastam da música e dos holofotes e, enquanto vivos, jamais temos a ideia de ir perguntar o que aconteceu.

Como amigos virtuais lembraram rapidamente no Twitter, fui ao encontro de Genival Cassiano dos Santos uma primeira, única e última vez há 23 anos, para fazer pela Folha de São Paulo a reportagem “O soul brasileiro ainda respira“, com ele, o soulman baiano Hyldon, a soulwoman carioca Sandra de Sá e o soulboy fluminense Claudio Zoli. A ideia era discutir os caminhos da soul music nacional com os quatro, e infelizmente não aproveitei para entrevistar Cassiano como protagonista, nem para tirar dúvidas que, vejo agora, resistem à morte dele. Não queríamos saber de Cassiano quando ele estava vivo.

Das recordações enevoadas daquele encontro, lembro que foi difícil convencê-lo a participar. Sinceramente não sei como consegui, ou se foi Hyldon (esse continua firme e forte, por exemplo aqui, aquiaqui e aqui) que o convenceu, ou como foi. Lembro que fui até a casa dele, não sei mais se para pegá-lo e encontrar os outros em outro lugar ou se para entrevistá-los no próprio apartamento pobre onde ele morava no Rio de Janeiro, acho que no Flamengo. Lembro de Cassiano arredio, arisco, como costumam ser os caras que tomaram muita pancada racista na vida.

Ainda assim deu informações preciosas, no pouco da fala dele que restou publicado na Folha, como nesta reação quando Zoli o chamou de “mestre”: “Sabe como sou mestre? Tenho fitas com músicas inéditas que dão para encher um elevador. Sempre que a mídia precisa lançar uma Ivete Sangalo, eu sou o mestre, o papa. Quando ganham a grana que queriam, o mestre pode ficar na rua, não tem mãe, não come”. Numa ponte improvável entre soul e axé, Ivete alçou a antiga “Coleção” (1976) às paradas com seu vozeirão e sua Banda Eva, em 1995; em 2000, em seu segundo CD solo, ela apresentou a inédita e romântica “Postal”, também assinada por Cassiano.

Falando no sábado com Hyldon, para matar um pouco das saudades que senti de repente, o autor de “Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapé)” (1974) disse mais: “Ele foi se isolando de todos. Tinha depressão e outras comorbidades. Sabia que apesar disso tudo estava cheio de músicas novas? Muito louco isso”. Acho que posso dizer que, não, não sabíamos.

Cassiano tomou pecha de difícil, complicado, “maldito”, todos esses jargões que na real não significam muita coisa e servem mais para despistar o desinteresse midiático sobre certo tipo excêntrico de artista. No caso de Cassiano, acredito que também servia para despistar outra coisa, uma certa coisa ruim que na prática se traduz na relativa inexistência desse cantor, compositor e instrumentista na mídia tradicional, e igualmente na virtual. OK, ele nunca mais lançou um disco desde Cedo ou Tarde, de 1991, mas cabe a pergunta: no balé das rejeições, quem nasce primeiro, o ovo ou a galinha?

Os dados biográficos de Cassiano são escassos em trabalhos de referência como a Enciclopédia da Música Brasileira (1998) ou o virtual Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira – em nenhuma das duas obras há verbete para Os Diagonais, o conjunto em que ele se fez notar publicamente pela primeira vez. O dicionário virtual de Ricardo Cravo Albin se equivoca inteiro na descrição da brevíssima discografia do artista. Sabe-se que nasceu em Campina Grande (PB) e se transferiu ainda pequeno para o Rio, onde foi ajudante de pedreiro antes que músico. Integrado por Cassiano, Camarão (seu irmão) e Amaro (os dois últimos sempre identificados apenas com esses codinomes), o trio Os Diagonais nasceram de outro grupo chamado Bossa Trio. Ambos os nomes dos conjuntos apontam para influências da bossa nova e de sua versão mais envenenada (e negra), o samba-jazz, ou sambalanço, que à época jorrava trios, quartetos e quintetos aos borbotões.

O possível primeiro compacto d’Os Diagonais foi lançado pela gravadora pernambucana Mocambo, provavelmente em 1965. Contém “Capoeira Moça Bem” (composta por um pioneiro do rock’n’roll nacional, Osmar Navarro, com Jacobina) e “Babalaô” (do mineiro Geraldo Nunes, futuro autor e intérprete do sucesso ultrapopular “Velha Debaixo da Cama”, de 1975). As duas faixas voltaram a existir na década passada, por artes do reservatório de tudo que existe no mundo chamado YouTube. A temática das duas canções é exemplar, e jamais seria revisitada por Cassiano.

O formato de canto coral rico em harmonizações remete a referências (brancas) como os Anjos do Inferno (quem em 1941 lançaram “Brasil Pandeiro”, do baiano Assis Valente, futuro sucesso-símbolo “dos” Novos Baianos, pela regravação de 1972), os precursores bossa-novistas Garotos da Lua, com o jovem João Gilberto, e Os Cariocas, ou o novinho MPB 4, que estreara em disco em 1964. Mas, com algum laivo também de canção de protesto, a samba-jazzística “Capoeira Moça Bem” aponta para direção bem distinta: “Foi na Bahia, apareceu/ cativeiro conheceu/ nego Bento foi seu pai/ veio d’Angola feiticeira/ batizou de capoeira/ criou fama que não cai / cai pro lamento doído do negro, o gemido, uma dor/ uma saudade que fala, que vem da senzala, teu amor”. “Moça bem”, aprende-se, é a própria capoeira. Do outro lado do disquinho, “Babalaô” é complementar ao tema racial de “Capoeira Moça Bem”, pelo formato afrocentrado, numa gira de candomblé.

No próximo compacto, a negritude samba-jazz cede vez para a influência da onipresente jovem guarda, nos iê-iê-iês “Sonho Multicor”, versão para “Everyday” (1958), do pioneiríssimo roqueiro estadunidense Buddy Holly, e “O Amor de um Rapaz”, composto sobre letra inofensiva pelo versionista titular da jovem guarda, Rossini Pinto. Os colecionistas do YouTube se referem a esse título como o primeiro lançamento d’Os Diagonais, em 1966, mas o número de catálogo de “Capoeira Moça Bem”/”Babalaô”, também editado na Mocambo, é anterior.

A primeira gravação de uma composição de Cassiano que consigo detectar é de uma balada romântica chamada “Sem Você Eu Não Vivo”, lançada em 1966 pelo carioca Wilson Simonal, outro futuro contaminado pela enfermidade do (auto)abandono. É cantada naquele típico estilo de bossa negra do primeiro Simonal, anterior à famigerada pilantragem. Outros registros iniciais são “Se o Mundo Pudesse Me Ouvir” (1967), lançado pelo jovem-guardista negro (e futuro soulman) pernambucano Paulo Diniz, “Nunca Mais Quero Amar” (1967), pela dupla iê-iê-iê Os Jovens, e “Pra Que Sorrir” (1968), pelo “bom rapaz” paulistano Wanderley Cardoso. As dores de amores eram a bússola principal do jovem compositor.

Nenhuma dessas gravações conheceu o sucesso. Os compactos d’Os Diagonais não comoveram os ouvidos lançadores de sucessos, nem como engajados ao protesto, nem como alienados iê-iê-iê. A perseguida identidade própria só começou a despontar no compacto de 1968, já pela multinacional Epic/CBS, com “Você Fingiu”, creditada a Genival Cassiano, e “Meu Coração Eu Te Dei”, versão para “Oh! What a Fool I’ve Been”, do obscuro ato soul feminino The Sweet Inpirations, formado por ex-vocalistas de apoio de Nina SimoneElvis Presley e dos semideuses soul Aretha FranklinWilson Pickett Solomon Burke.

A segunda faixa é uma precoce balada soul brasileira; a primeira, bordada em baião, em rock e no gênero psicodélico negro que logo se popularizaria como funk, foi depois pescada por Tim Maia para integrar seu primeiro LP, lançado tardiamente em 1970, quando amigos de juventude da “turma da Tijuca” como os cariocas Simonal, Erasmo Carlos e Jorge Ben e o capixaba Roberto Carlos já navegavam havia anos no sucesso pop.

Antes da estreia de Tim, em 1969, Os Diagonais conseguiram gravar um primeiro álbum, Os Diagonais (Epic/CBS), produzido pelo percussionista e baterista paulista Helcio Milito, introdutor da tamba na bossa nova, no mitológico Tamba Trio. Agora, Cassiano, Amaro e Camarão deixavam a descoberta da soul music em segundo plano e embarcavam na tendência popular da pilantragem, uma tropicália em versão negra, digamos, recém-inventada por Simonal e por seu conjunto, o Som Três de Cesar Camargo Mariano, futuro maestro e marido de Elis Regina.

A fórmula, disseminada por Simonal e pelo agitador capixaba Carlos Imperial, consistia em criar música festiva à la Chris Montez e, especialmente, espelhar canções rock-soul contemporâneas compostas de próprio punho com versões “pilantras” (ou seja, cerzidas nalguma espécie de soul-samba-bossa-rock) de sambas e principalmente sambas-canções históricos, tipo “Na Baixa do Sapateiro” (1938), de Ary Barroso, “Cabelos Brancos” (1940), de Herivelto Martins Marino Pinto, ou “Atire a Primeira Pedra” (1949), de Ataulfo Alves. O clássico “Praça Onze” (1942), de Herivelto e Grande Otelo, por exemplo, compõe um breve pot-pourri com a tropicalista “Bat Macumba” (1968), de Gilberto Gil Caetano Veloso, lançada pelos roqueiros Mutantes. As harmonias vocais à moda da bossa d’Os Cariocas permaneciam aqui, como de resto eram, com menor apuro, o sustentáculo da chamada Turma da Pilantragem.

A estranha mistura de samba, samba-canção, rock, bossa nova, samba-jazz, jovem guarda, toada moderna e tropicália promovida no LP Os Diagonais tateia a identidade soul em duas composições de Cassiano, “Não Dá pra Entender” e “Clarimunda”. Mas o prenúncio da invenção está em outra faixa, “Meu Cariri”, reinvenção funk-soul de um baião lançado em 1951 pela potiguar Ademilde Fonseca, quando o “rei” do Brasil ainda era o pernambucano Luiz Gonzaga. Aqui explode, pela primeira vez, a novidade: o funk-soul-forró, distintivo maior do paraibano Genival Cassiano. Da história oral, sempre bastante imprecisa, consta que o pai de Cassiano seria amigo do genial conterrâneo Jackson do Pandeiro, outra das glórias da música nordestina sertaneja de festa.

Outra tentativa da pilantragem (já prestes a ruir a bordo da derrocada político-policial de Simonal) foi o álbum mais ou menos coletivo Brazilian Soul (1970), creditado a Gerson Combo (futuro Gerson King Combo) e A Turma do Soul, mas que traz três faixas acompanhadas por um grupo somente nesse momento rebatizado como Amaro e Os Diagonais: o pot-pourri com a cangaceira “Mulher Rendeira” com “Juliana” (1969), toada moderna carioca de festival composta por Antonio Adolfo Tibério Gaspar, e “Fiz a Cama na Varanda”, da maranhense Dilu Melo; o mix (soul-)samba-canção de “Demais” (1959), de Tom Jobim Aloysio de Oliveira, e “Ninguém Me Ama” (1952), de Fernando Lobo Antonio Maria; e, para encerrar o LP, uma baladinha soul desapercebida batizada “Primavera” e assinada por Cassiano e Silvio Rochael.

1970 foi o ano-meteoro da ascensão e queda abruptas da black music brasileira, contraparte nacional do black power propagado nos EUA por James Brown na música e pelos Black Panthers no ativismo político. Foi quando a tela da jovem Rede Globo pretejou a bordo da vitória de Toni Tornado no Festival Internacional da Canção, que causou escândalo, indignação – e torturas físicas – por parte dos generais ditadores que comandavam o país.

Entre a ascensão e a queda, brotou Tim Maia (Polydor), a espetacular estreia discográfica do soulman carioca, de cujos créditos consta Cassiano (na guitarra), também autor de “Você Fingiu”,  das parcerias com Rochael “Primavera”, agora com o complemento “(Vai Chuva)”, e “Eu Amo Você”, mais “Padre Cícero”, uma parceria Cassiano-Tim que investe com fogo no funk-baião, e que comporia a trilha sonora da novela global Irmãos Coragem (1970), de letra alterada e sob o título “João Coragem” (o protagonista da história). Com a obscura banda black (and white) power Os Condors, “Padre Cícero” virou “Father Cicer”, versão western-soul-forró em inglês assinada pelo paulistano Tommy Standen, que logo mais conquistaria sucesso romântico efêmero como o falso gringo Terry Winter.

Divergente dos créditos do Tim Maia original, um texto na contracapa do disco solo de 1976 de Cassiano afirma que em 1970 ele “faz todos os arranjos das músicas de Tim, o que o consagra definitivamente”. O teste de DNA jamais foi feito. O mesmo texto afirma que “Cassiano formou, junto com seus dois irmãos, o conjunto Bossa Trio”, o que poderia levar à suposição de que Os Diagonais fossem um trio de irmãos, tal qual os  grupos de black iê-iê-iê Golden Boys e Trio Esperança.

Parece óbvio que a sensacional nordestinidade de “Padre Cícero” e “Coroné Antônio Bento” (uma adaptação do forró “Matuto Transviado”, do maranhense João do Vale e do alagoano Luiz Wanderley, lançado em 1959 pelo segundo) foi apanhada por Tim do cabedal paraibano de Cassiano. Tim voltaria à carga noutros momentos, com funk-forrocks do calibre de “A Festa do Santo Reis” (1971), “Canário do Reino” (1972) e “Debaixo do Manacá” (1984). Mas, nesse primeiro momento, o estrondo maior aconteceu em torno não nos baioques black de Tim, mas das cândidas e sofridas baladíssimas “Primavera” e “Eu Amo Você”, o que mudou o curso da história até então pacata de Cassiano.

Um segundo Os Diagonais ainda veio ao mundo pela RCA Victor, em 1971, com coordenação artística do futuro samba-roqueiro gaúcho Luis Vagner, guitarras dele e de Hyldon, piano elétrico do bossa-novista paulista Osmar Milito (irmão de Helcio) e arranjos do maestro Waltel Branco. No livro 1976 – Movimento Black Rio (2016), os autores Luiz Felipe de Lima Peixoto Zé Octávio Sebadelhe afirmam que Cassiano não participa desse segundo trabalho d’Os Diagonais, e as fotos de capa e contracapa do agora quarteto não parecem mesmo estampá-lo, mas penso ouvir a voz aguda de Cassiano toda vez que escuto “Sai de Lado”. No mais, ele é autor ou co-autor de seis das 12 faixas do disco: “Adivinhe Meu Pensamento”, “Vou Perder Você”, “Todo Meu Amor”, “Eliana”, “Não Vou Chorar” e “O Mal Passará”. Num reedição desse LP em CD surgiu uma outra versão de “Você Fingiu”, bem mais virulenta, mas sem qualquer informação sobre circunstâncias de gravação e data de lançamento original (se houve).

Mas a fase Diagonais começava a ficar no passado para Cassiano, que, montado num cabelo black power e motivado pelo sucesso de Tim, lançou ainda em 1971, pela mesma RCA Victor, um álbum solo inaugural, Imagem e Som. Curiosamente, o disco leva o número de catálogo 1551 da RCA, enquanto o de Os Diagonais é 1552, o que sugere que ambos foram lançados juntos.

Assim como o disco dos ex-parceiros, Imagem e Som não chegou a perfurar as paradas de sucesso, mas ajudou a encorpar o mito do soulman paraibano, em especial na versão autoral desacelerada, mas incendiária de “Primavera (Vai Chuva)”. Aqui se consolida outro diferencial essencial de Cassiano: a voz pequena, agreste, nem um pouco black power, nada assemelhada ao trovão de Tim Maia, mas ainda assim um germinal de soul music tal como se o suave Marvin Gaye tivesse nascido em Campina Grande em vez de em Washington D.C.

Imagem e Som guarda momentos formidáveis, como o baladão “Não Fique Triste” e os funkões “É Isso Aí” (“carrego tanta imagem pelo mundo/ o tempo saberá o que fazer”) e “Ela Mandou Esperar”, composição minimalista assinada por Tim e Cassiano. Essa segunda, antológica, por pouco mais de dois minutos se limita a repetir, qual um bisavô do rap, os versos “ela mandou esperar/ ele não esperou/ ela mandou esperar/ ele não esperou/ ela mandou esperar/ ele não esperou…”, afora a repetição ocasional de um enigmático “quando isso acontecer”. A partir do êxito da simbolista “Primavera”, as letras evanescentes, algo misteriosas, se tornam mais uma característica única de Cassiano.

“Há tanto sonho em mim/ mas é a vida/ linda lenda/ antiga é a vida”, diz a faixa de abertura, “Lenda”, bossa negra carioca assinada pelo fidalgo loiro da soul music Marcos Valle e por Lula Freire, com Os Diagonais nas harmonizações vocais (como de resto em todo o LP). A lenta “Já” cresce até a explosão em vibrante valsa-soul, “que renascerá o amor/ essa é uma história igual a outra história”, puro suco agridoce de Cassiano.

A faixa-segredo, aqui, se chama “A História das Bossas”, uma tentativa eloquente de (r)estabelecer laços com a bossa nova de apartamento zona sul que excluíra sambistas, jovem-guardistas e outros suburbanos. “Estou falando de:/ a história começou/ quando João chegou/ cantando samba/ com seu violão/ e fez o mundo/ se admirar/ os bacharéis do samba/ consultaram arquivos/ e verificaram/ que era bossa nova/ aquele modo/ que o João cantava”, discorre, em sua linguagem única. Menos que uma homenagem a João Gilberto, trata do confronto entre a bossa vanguardista do baiano e a “bossa” conservadora do “sapo de fora” Juca Chaves, com uma conclusão que reivindica status para a bossa negra e pede espaço para outro ilustre suburbano no movimento branco dos copacabanos: “Mas o samba quer inovação/ chegou o Jorge Baby/ acabou com a confusão”.

Nem é preciso observar que, como não recebera Roberto e Erasmo, a elite bossa-novista tampouco acolheu Jorge Ben ou Cassiano entre seus filhos-frutos. Tim Maia acabaria seus dias musicais gravando discos de bossa nova e um álbum inteiro com Os Cariocas, Amigo do Rei (Vitória Régia, 1996). Na letra de “A História das Bossas”, Cassiano tentava dar corpo grupal ao movimento desorganizado que poucos anos depois tomaria o apelido de “black Rio”, o que jamais chegou a se realizar. “Olho pro céu/ vejo um clarão/ azul/ como disse o Tim Maia/ da cor do mar”, canta, citando citando o líder do não-movimento Tim em uma canção do próprio Cassiano. A faixa é “Minister”, um funk dedicado a um maço de cigarros (“já são 10 horas/ vou fumar o meu Minister/ vou deitar e vou dormir”). A bossa negra procurava vínculos também com a contracultura, o que Cassiano expõe no pacifismo black power de “Canção dos Hippies (Paz e Amor)”, assinado por alguém chamado Prof. Pardal.

Sem repetir o estouro de Tim Maia na Polydor, Cassiano rompeu com a RCA Victor (ou foi ejetado por ela?) e ressurgiu dois anos depois, pela Odeon, com um disco de título esquisito, Apresentamos Nosso Cassiano, como se se tratasse de uma (re)estreia. Causou impacto ainda menor que Imagem e Som, em funks e souls sinuosos, tortuosos, de letras ainda mais intrincadas, como “O Vale”, “Cinzas” (“tudo na vida é natural/ eu sei/ que a vingança é o mal do amor”) e “Cedo ou Tarde” (“a verdade cedo ou tarde vem”). O simbolismo e o mistério só faziam crescer, ainda sob contracantos à la Diagonais: “Se lembra?/ o vale, o vale/ que linda melodia você fez/ (se lembra?)/ na estrada íamos só você e eu/ (se lembra?)/ pinheiros altos verdes, que seriam?/ (se lembra?)/ os nossos fins da escada longa ao fim (do vale)”.

O segundo disco se achega mais às sofisticações harmônicas da bossa que ao poder de fogo do grupamento black music, então já desfeito pela truculência dos militares ditadores – comercialmente, só Tim Maia e Jorge Ben sobreviviam ao massacre militar racista. Cassiano, mais introspectivo, parecia erguer uma barreira no próprio poder de comunicação com o grande público, em temas antipop, às vezes gritados demais, como “Slogan”, “A Casa de Pedra”, “Chuva de Cristal”, “Melissa”, “Castiçal”, “Calçada”… O melhor de Cassiano nesse momento ficou para a maravilhosa Evinha, estrela underground do soul carioca que gravou mais um não-sucesso simbolista de letra imaginosa de Cassiano, “Tiro de Cores”, uma parceria com o futuro mago carioca do pop-soul-funk eletrônico Robson Jorge: “Atores e atrizes/ alegres vamos lá, cantar ‘é primavera’, hoje a noite é nossa/ quem vem da roça?”.

De sua parte, os antigos Diagonais ainda ressurgiram em 1974, metamorfoseados em Achados & Perdidos (RCA Vik), uma das várias bandas que seguiram o rastro aberto pelo sucesso do rock-poesia andrógino dos Secos & Molhados. Vestidos como roqueiros glitter de cabelos black power, Amaro, Camarão e Max despistam o sangue soul em faixas como o country rock “Festa dos Bichos (Guires Gueres)” (assinado por Max, duas vezes, e por Camarão), um tributário menos bruxo do megahit “O Vira” (1973), dos Secos & Molhados: “Dançam cachorros e gatos/ ratos e carrapatos/ minhocas também/ moscas, mosquitos, piolhos/ baratas e pulgas/ nem vem que não tem/ (…) grilos, formigas, lagartas/ percevejos no mato/ sempre a bailar/ pernilongos voando na festa/ com mil vagalumes/ pra iluminar”. Cabe ainda psicodelia (“Pinga Colírio Nessa Paisagem”) e forrock (“Caubói do Ceará”, do veterano cearense Catulo de Paula). O funk e o soul se insinuam intimidados, na também nordestinizada “Cabeça Oca”, de outro príncipe do abandono soul, o carioca Helio Matheus, e em “Esperando o Dia Vir”, do brother Cassiano.

Para o autor de “Primavera”, o momento de explosão ainda estava por chegar. Começou a acontecer em 1975, quando a Globo inseriu na trilha sonora de uma novela das 22h, O Grito, uma balada soul inicialmente lançada em compacto, com o funkaço latinizado “Nanar Contigo” no lado B. A simbolista “A Lua e Eu”, que engrenava a parceria com o carioca Paulo Zdanowski (eventualmente assinado Paulinho Motoka), correu as rádios na agudez anti-soul da voz do artista, virou hino romântico brasileiro e ganhou vídeo no Fantástico, numa época pré-videoclipe, em que importava aos artistas emplacar músicas no Fantástico. “Mais um ano se passou/ e nem sequer ouvi falar seu nome/ (a lua e eu)/ (…) quando olho no espelho/ estou ficando velho e acabado”, cantava, aos 32 anos, em arranjos vocais diagonais e vestindo terno branco, na praia, entre castiçais.

O êxito pop de “A Lua e Eu” possibilitou que Cassiano gravasse um novo disco, dessa vez pela Polydor, da qual Tim Maia havia saído para se internar no Universo em Desencanto. Paulo Zdanowski é coprodutor (com Gastão Lamounier), guitarrista e co-autor de todas as nove faixas de Cuban Soul 18 Kilates (1976), o zênite artístico de Cassiano, que substitui a nordestinidade pela latinidade em sua fórmula de soul impuro e começa com um improvável soul natalino, “Hoje É Natal”.

Cuban Soul traz o segundo grande sucesso de Cassiano na voz do dono, “Coleção”, mais um hino black-romântico à brasileira, que viria a ser inserido na trilha da novela global das 19h Locomotivas (1977). “Coleção” contém um dos mistérios para mim insolúveis de Cassiano, que canta: “Sei que você gosta de brincar/ de amores/ mas só comigo não” – ou seria “mas ó, comigo não”? Gosto muito de pensar que seja “mas ó”, o que conferiria mais um ponto de exclusividade no rico (som) imaginário desse autor. “Sei também que você… eu não sei/ mais nada (…) não vá/ ou vá/ você é quem quer/ quer saber?/ eu amo/ você”, prossegue o gênio, em seu peculiaríssimo linguajar interrompido.

Está também em Cuban Soul minha favorita absoluta na obra de Cassiano, o funk suculento “Onda”, que começa em som de quebra-mar e estardalhaço de gaivotas e se desenrola por climáticos/psicodélicos quase oito minutos a repetir o mantra “onda/ onda/ foi somente onda/ onda/ foi somente onda/ dela” – o mantra só é quebrado para os versos “você que sempre foi/ não me diga que não foi/ não vá querer se zangar”. Aqui mora outro mistério para mim insolúvel de Cassiano: foi somente onda dela? Ou foi somente onda bela? As duas hipóteses soam igualmente lindas no contexto do eterno abandono romântico de Cassiano.

O abandono acompanha também o funk latino “De Bar em Bar” e o, digamos, soul-canção “Saia Dessa Fossa” (“saia dessa fossa” é o único verso cantado), indícios transparentes dos humores depressivos de Caetano. “A Lua e Eu” encerra radiante o último álbum totalmente autoral de Cassiano, 46 anos antes de sua morte. Zdanowski seria co-autor, no futuro, do sucesso popular “Noite do Prazer” (1983), da banda black Brylho, de que ele participava ao lado de Claudio Zoli e do roqueiro Arnaldo Brandão: “Na madrugada vitrola rolando um blues/ tocando B.B. King sem parar” (ou seria “trocando de biquíni sem parar”?).

No final das contas, o soul cubano de Cassiano, sobretudo por causa de “Onda” e de “Central do Brasil”, soa muito mais carioca que latino ou pontualmente cubano. “Central!”, grita incansavelmente essa última, e é tudo que ela diz (por palavras). É mais um disco de contracorrente, que se recusa à rendição ao som negro dançante do momento, a disco music (ao contrário de Tim, que lançou em 1978 seu Tim Maia Disco Club), e antecipa o advento estrondoso da Banda Black Rio (responsável por “Maria Fumaça”, tema instrumental de abertura da mesma Locomotivas que traz “Coleção”), liderada pelo saxofonista-clarinetista-flautista-pianista-etc. carioca suburbano (de Madureira) Oberdan Magalhães, em 1977.

A história informal e imprecisa dá conta de que, em 1978, Cassiano perdeu um pulmão para a tuberculose, o que teria lhe feito desistir de cantar. Nos anos 1980, as únicas aparições discográficas de que tenho notícia estão no compacto de “Amor Inspirado” e “Tá Dando Mole, Zé” (outra raridade ressuscitada pelo YouTube), pelo selo independente Lança, de que era sócio Erasmo Carlos, e no álbum Claudio Zoli (1986), num dueto em “Meu Sonho”, de Zoli.

Cassiano continuou a ser ouvido como compositor semi-anônimo de canções gravadas por artistas de nichos diversificados como Rosemary (“Quando Você Chegar”, 1974), o anjo negro caído Simonal (a genial “Partitura de Amor”, 1975), Emílio Santiago (“A Lua e Eu”, 1976, “Carícia e Sedução, 1983) um fiel Tim Maia (“Murmúrio”, no álbum discothèque de 1978, a regravação grave de “Não Fique Triste”, 1980, “Nuvens”, 1982, a bossa negra “Rio, Mon Amour”, 1983, “Venha Ser Minha Mulher”, 1984), Dudu França (“Como Passo as Noites”, 1980), Gilberto Gil (que assinou com ele “Morena”, do disco Luar, de 1981), Alcione (“Mister Samba”, 1982, que diz “cansei de dar amor/ pra quem nunca prezou o meu pandeiro”), Wando (uma versão lânguida de “Primavera”, 1982), Sandra de Sá (“Candura”, 1983, “Slogan” e “Cinzas”, 1990), Rosana (“O Ouro”, 1983), Diana Pequeno (“Coleção”, 1984), Claudio Zoli (“Coleção”, 1986, a parceria “Não Dá pra Entender”, 1988), Nana Caymmi (“Coleção”, 1988)…

Já se dando conta do “sumiço” do “mestre” fugidio, Sandra de Sá lançou em 1982, no mesmo disco que contém o hino funk “Olhos Coloridos”, o carinho cantado “Preciso Urgentemente Falar com Cassiano”, funk (pré-)carioca composto pelo soulman paraguaio Fábio com Paulo Imperial (irmão de Carlos Imperial): “Preciso urgentemente falar com Cassiano/ sobre o som que Stevie Wonder faz na ‘harmona’ do piano”. Foi um dos motivadores daquela proposta de reencontro promovida pela Folha em 1998. Não sabíamos, mas precisávamos urgentemente falar com Cassiano – e nem falamos.

Cassiano em si veio a articular um canto de cisne em Cedo ou Tarde (Sony, 1991), para o qual se formou uma banda de 13 feras batizada Dancing Club. O projeto, composto majoritariamente por regravações sob arranjos novos (novos mesmo, e por vezes jazzísticos) criados pelo próprio autor, forma duetos com Luiz Melodia (“Salve Essa Flor”, de 1976), Djavan (“Coleção”), Sandra de Sá (“Primavera”), Claudio Zoli (“A Lua e Eu”) e Marisa Monte (“Cedo ou Tarde”). Canções inéditas foram entregues a duetos com Karla Sabah, ex-integrante do grupo pop oitentista Afrodite se Quiser (“Bye Bye”), e com o discípulo Ed Motta (“Know-How”). Sozinho com a banda, Cassiano faz a primeira leitura autoral (e suingada) de “Eu Amo Você” e canta as inéditas “Rio Best-Seller” (sobre um Rio de Janeiro “feliz e indolor”) e “Setembro” (“é setembro/ quero viajar”), além de assinar a autoria e o arranjo da apenas instrumental “Intro III”. Como de praxe, Cedo ou Tarde não frequentou as paradas de sucessos.

Emudecido, Cassiano seguiu sendo ouvido através vozes que quase sempre se alternaram entre releituras de “Coleção” (pela Banda Eva de Ivete Sangalo, e por Emílio Santiago em 1995, Mart’nália em 1997, Bukassa Kabengele, 2000, Sampa Crew, 2016), “A Lua e Eu” (Sampa Crew, em 1996, o grupo de pagode Pixote, 1999 Cidade Negra, 2007, Izzy Gordon, 2011), “Primavera” (Nana Caymmi, 1996, Sampa Crew, 1996, Edson Cordeiro, 1999, Maurício Manieri, 2000, Monobloco, 2005, Cauby Peixoto, 2006, Pato Fu, 2010, Criolo, 2015) e “Eu Amo Você” (Leo Jaime, 1995, Sandra de Sá, 1998, Banda Eva, 2000, Manieri, 2004, Cidade Negra, 2007, Leo Maia, 2008, Sambô, 2014, Ana Cañas, 2018), além de pot-pourris de todas essas pelo samba-roqueiro Bebeto, em 1993. A paranaense Simone Mazzer foi a única a encarar uma releitura de “Onda”, em 2017, com acompanhamento em soul de veludo do grupo francês Cotonete.

Onde Cassiano permaneceu mais vívido depois de se calar, no entanto, foi nos domínios do rap dos Racionais MC’s, que despertaram curiosidade em gerações mais jovens por causa de “Vida Loka (Parte II)”, em que Mano Brown dispara: “Ouvindo Cassiano/ os gambé não aguenta”. No mesmo disco (Nada Como um Dia Após o Outro Dia, Cosa Nostra/Zambia, 2002), “Sou + Você” usa como fundo musical a mal conhecida “Uma Lágrima”, de 1971, e “Da Ponte pra Cá” inclui longo sample de “Onda”.

Em Cassiano o abandono, evidentemente, não era apenas artístico – ao sofrer uma parada cardíaca em 25 de abril, ele deu entrada numa Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Copacabana e, sem plano de saúde, ficou intubado à espera de uma vaga em UTI. Quem veio em seu socorro foi o médico e pesquisador da Fiocruz José Gomes Temporão, ministro da saúde no segundo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. As informações são desencontradas (por que será?) e não sabemos de verdade se Cassiano morreu de covid-19, descaso, racismo ou outro motivo. O que sabemos, sem sombra de dúvida, é que ele e um número de brasileiros muito maior que 420 mil pertenciam (pertencem) a diversos grupos de risco para covid, e também para essa doença brutalmente letal chamada abandono.

P.S.: Segue abaixo um momento raro (ainda que constrangedor) em que o Cassiano maduro, elegante feito um Cartola, aparece falando e em movimento na mídia brasileira, numa participação com Wilson Simoninha em programa jovem da TV Cultura, em 2000. Na mesma ocasião, ele cantou, quase sem voz, acompanhado por nova encarnação da Banda Black Rio, um funk inédito de sua lavra chamado “Tomorrow”. De lá para cá, apenas o silêncio

P.S. 2, em 10 de maio: Emicida nos lembra que o hip-hop estadunidense, habitualmente cobiçoso com o relicário da música negra brasileira, também se rendeu à “Onda” de Cassiano. Em 2015 (portanto, 13 anos depois do sample dos Racionais MC’s), o duo Nxworries, formado pelo rapper Anderson .Paak e pelo produtor Knxwledge, lançou o rap “Link Up”, cuja base musical e inteiramente retirada de “Onda”. Não há nenhum crédito para Cassiano, e na ficha do EP Link Up & Suede na Wikipedia a faixa é creditada somente a Brandon Anderson (Anderson .Paak) e Gil Earl Boothe (Knxwledge). Pode-se dizer que a versão instrumental de “Link Up”, também incluída no EP e atribuída apenas a Boothe, é 100% Cassiano.

P.S. 3, em 10 de maio: E o amigo jornalista Vilmar Ledesma surge com recortes do arco-da-velha, retirados de uma edição de 27 de abril de 1971 da revista Amiga, em que os Diagonais aparecem espinafrando o amigo mais famoso Tim Maia, com queixas sobre a falta de crédito ao trio em Tim Maia (que, no entanto, assinala Genival, Amaro e Marcos – Camarão? – como vocalistas do LP) e sobre a falta de pagamentos por participações em shows de Tim. “Pouca gente sabe da nossa participação no disco e muito menos que o Genival é quem canta a maior parte da música ‘Coroné Antônio Bento’, que faz parte do repertório”, contestam, aparentemente em coro, os Diagonais. Eis aí mais um mistério do quilate de Cassiano: a voz em ‘Coroné Antônio Bento’ parece e não parece ser a de Tim, e, pensando agora, parece e não parece ser a de Cassiano. Afinal, quem seria o cantor da faixa de abertura do primeiro Tim Maia?

Noutro recorte trazido por Vilmar, do jornal Correio da Manhã de 13 de fevereiro de 1971, Tim em pessoa apresenta uma informação importante, e mais tarde esquecida: “Notei uma semelhança entre o pop e a música brasileira. Daí que os Diagonais, quando faziam shows no interior, cantavam sempre o ‘Coroné’ e faziam um tremendo sucesso. Então eu peguei e joguei à minha moda, assim como o ‘Padre Cícero’, que já fiz nessa jogada também. E funcionou”. Em Vale Tudo (2006), o biógrafo Nelson Motta cita a redescoberta de “Coroné Antônio Bento” (ou melhor, de “Matuto Transviado”) pelos Diagonais (que, segundo ele, naquele momento eram um quarteto, com Hyldon – ausente nos créditos do LP de Tim – como quarto integrante), mas escapa pela tangente das implicações mais delicadas e controversas do assunto. No filme Tim Maia (2014), de Mauro Lima, o personagem Cassiano não existe, nem tampouco Hyldon.

Seguem abaixo os recortes trazidos por Vilmar, inclusive a capa daquela edição da Amiga, protagonizada por Wanderley Cardoso e pela então “namoradinha do Brasil”.

P.S. 4: O grande Hyldon comparece com a resolução a algumas da dúvidas levantadas no texto, aqui.

P.S. 5: Em comentário publicado no espaço de leitores, Erly Vieira Jr traz mais peças que ajudam a montar o quebra-cabeças, e que incorporo aqui ao texto:

“Pedro, acho que tá rolando uma grande confusão com as informações no P.S. 3 do texto. Os vocais de ‘Coroné Antônio Bento’ são do Camarão, não do Cassiano. Tem inclusive uma entrevista que o Ricardo Schott fez com o Hyldon anos atrás em que o Hyldon faz essa revelação (aqui).

A confusão se dá por talvez faltar a informação que resolve esse quebra-cabeças: Camarão também é Genival, igual Cassiano (que é Genival Cassiano). Parece estranho dois irmãos terem o mesmo primeiro nome, mas essa informação é mencionada na página do Facebook do Cassiano (que é mantida por um fã que inclusive localizou, tempos atrás, o paradeiro do Camarão, que muitos davam até então como morto – nos posts de 2015, ele afirmava que este era pastor, informa que havia lhe visitado recentemente, e há comentários de parentes e amigos próximos no post, confirmando isso – e em três posts o dono da página informa que ambos os irmãos tinham Genival como primeiro nome). Acabei perguntando pro Paulo Zdanowski, que me confirmou a informação.

Além disso, a foto na reportagem da revista Amiga não inclui o Cassiano, o que leva a crer que ele já tinha saído do grupo quando Tim gravou o disco. Na foto, estão, da esquerda pra direita, Marcos, Amaro e Camarão – inclusive o Marcos aparece na capa do segundo disco do grupo, junto com o Sérgio Luiz, que foi o quarto integrante em 1971. Portanto, o Genival a quem eles se referem na matéria é o Camarão, e não o Cassiano. O que inclusive faz eco ao que vc afirma sobre a voz na gravação não ser exatamente parecida nem com a do Tim, nem com a do Cassiano.

Essas informações, por outro lado, não excluem a provável participação de Cassiano como arranjador no primeiro disco do Tim. Com certeza ele fez muito mais nesse disco do que o que foi creditado oficialmente”.

Obrigado, Erly!

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