Hyldon
O samba-soulman Hyldon - foto divulgação

Às da samba-soul music baiano-carioca, o grande Hyldon vem demolir algumas das dúvidas levantadas no texto “Não dávamos a mínima para Cassiano“, que enumero abaixo.

A propósito do diálogo e do pouco cuidado que dedicamos aos soulmen brasileiros, evoco uma entrevista de Hyldon a este blogueiro, ainda em tempos pré-FAROFAFÁ, no longínquo 2006. Ali, o autor de “Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapé)” (1974) e “As Dores do Mundo” (1975) conta histórias riquíssimas, que passam por The Fevers, caravanas musicais em circos, Paulo SérgioOs SelvagensMichael SullivanTim MaiaToni Tornado, uma passagem-relâmpago pela banda de Elis Regina, o travamento de “Na Rua, na Chuva, na Fazenda” por André Midani, “Primavera (Vai Chuva)”, a natureza em suas canções, Azymuth, Sá, Rodrix & GuarabyraSom Imaginário, ciganos, o soul loiro de Marcos ValleMaria Alcina, Helio MatheusLuis VagnerErasmo CarlosMaurício Reis (cantor “cafona” de vozeirão que em 1973 gravou uma balada de Cassiano, “Não Diga a Ninguém Que Te Amo“, deixada de fora por mim no texto anterior), Os Diagonais, a mídia (para ele “um cachorro louco, cego e faminto”), o filósofo Arthur Schopenhauer, a censura a uma música que dizia apenas “cuidado para não virar jazz”, Chico Buarque etc. etc. etc.

“Cassiano faz mais soul music que muito negão do Harlem”, afirmou Hyldon na ocasião. Voltemos ao cara, portanto, nos esclarecimentos de quem testemunhou a história de dentro.

    • Quem canta a segunda parte de “Coroné Antônio Bento” (1970), faixa de abertura do primeiro álbum de Tim Maia, é Camarão, d’Os Diagonais.
    • “Nos shows que fizemos pelo interior, Camarão imitava o Coronel Ludugero, que era tipo Genival Lacerda“, lembra Hyldon, numa história que já contara na entrevista de 2006. “O Tim chamou o Camarão pra cantar, pra dar uma autenticidade nordestina, mas não deu os créditos.”

  • N’Os Diagonais, apenas Camarão era irmão do paraibano Cassiano. “Amaro era amigo, tinha uma voz muito bonita e era o solista d’Os Diagonais.” Amaro, ele acha, era carioca: “Gostava de tomar pinga, ficava saliente e mexia com as mulheres dos outros. Morava na Rocinha, levou um tiro de um marido ciumento. Morreu na hora, mas não foi por falta de aviso”.
  • Ao contrário do que registra Nelson Motta na biografia de Tim Maia (e costuma ser repetido em vários textos), Hyldon nunca foi um dos integrantes d’Os Diagonais. “Nós viajamos juntos”, diz, outra história contada na entrevista de 2006. “E toquei guitarra no disco da RCA (Os Diagonais, 1971).”
  • Sobre aquele segundo LP d’Os Diagonais, Hyldon explica: “Tinha quatro integrantes naquela formação, e tem gente que acha que um deles sou eu”.
  • Nenhum dos quatro é Cassiano, tampouco. “Elejá tinha saído, mas participou”, decifra.

 

Também recebi por e-mail algumas mensagens que, não sei por que cargas d’água, não aparecem na caixa de comentários aqui do site. A Simone Souza, DJ, colecionadora de discos e pesquisadora musical em Salvador, por exemplo, fez as seguintes observações (sobre “Ela Mandou Esperar”, hahaha!) e correções (muito obrigado, Simone!, já consertei tudo no texto original):

“Ótimo texto, o mais completo sem dúvidas!

Em relação ao segundo disco d’Os Diagonais, penso que pode ter sido por questões contratuais com a gravadora e ele ter ficado como participante fantasma/músico de estúdio pela questão do álbum solo feito na mesma época (e registrado/lançado junto, como você bem notou!)… Será?
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‘Ela mandou esperar’: Toda vez que toca, eu penso ‘começou o melô da ejaculação precoce’… hahaha.
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****Uma pequena OBS: você trocou o título de duas músicas: em vez de “já”, o título do funkão citado é “É Isso Aí” (“carrego nossa imagem pelo mundo/ o tempo saberá o que fazer”); e “Tenho Dito” (a letra correta: ‘eu lhe pedi/ até implorei/ fiz tudo, enfim/ mas você não me quer, baby’), mencionada como valsa-soul, dessa vez se trata de “Já”. Numa busca rápida, a parceria com Tim Maia seria a música “Tenho Dito”, que não teria sido citada, e é um belo funkão também.
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No mais, obrigada por tudo, CASSIANO! GRANDE MESTRE DO SOUL BOSSA BRASUCA!!

obrigada você pela dedicação, Pedro!!
um cheiro”

 

Outra mensagem, impressionante e assinada por Rubinete Brito, é a seguinte:

“Tenho certeza que ele sofria com o passado, o qual foi muito trágico. Meu sonho era conhecê-lo, porque tenho certeza que era meu tio. Ele era de uma comunidade chamada Macambira, perto de Campina Grande, e aos 14 anos ele sumiu, mas eu entendo o porquê”.

 

 

 

 

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