Mario Frias e André Porciuncula: não foram convidados, mas vão assim mesmo até Veneza para a Bienal

O secretário Especial de Cultura do governo federal, Mario Frias, e seu secretário Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, o ex-PM André Porciuncula, vão passar uma semana em Veneza, Itália, com tudo pago pelo governo federal. O pretexto é a participação da dupla e seus assessores na abertura da representação brasileira na 17ª Bienal de Arquitetura de Veneza, entre os dias 18 e 24 de maio.

O custo de tal “trem da alegria” negacionista pode passar de R$ 50 mil para os cofres públicos. Há poucos dias, o governo assinou um contrato com a Fundação Bienal de São Paulo para o financiamento da mostra brasileira em Veneza, liberando R$ 800 mil para a realização da exposição. O pavilhão brasileiro é tradicional na mostra, mas a presença de Frias e Porciuncula será apenas um constrangimento, já que o governo Bolsonaro é notoriamente um inimigo declarado do setor cultural e articulou o maior desmonte da História no sistema de financiamento às atividades da cultura – além de estimular perseguição ideológica, censura e agressões contra profissionais da área.

A grande ironia é que a 17ª Mostra Internacional de Arquitetura de Veneza tem o tema global “Como viveremos juntos?”, sob curadoria do libanês Hashim Sarkis, e premia este ano a arquiteta italo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992), que era inimiga declarada de todos os fascismos. O bolsonarismo é uma protodoutrina cujo lema mais apropriado seria “como faremos para separar todo mundo e eliminar quem não concorda com a gente?”.

A ação deliberada e agressiva do governo para devastar o sistema federal de estímulo à cultura levou o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil a ingressar essa semana com uma ação civil pública na 1ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal questionando os atos de Frias e Porciuncula. A OAB vê danos incalculáveis ao patrimônio público e social com os atos – entre eles, descontinuidade de políticas públicas, corte de recursos, triagem ideológica, boicote a atividades. A nomeação de profissionais sem qualquer perfil técnico também é mencionada – até uma dentista amiga de Mario Frias tinha sido contratada em setembro do ano passado e dispensada ontem, após decisão da Justiça. Um dos pedidos da ação é que o governo seja obrigado a finalizar a análise das propostas e projetos culturais parados na na Secretaria de Cultura e suas Unidades Vinculadas no prazo improrrogável de 30 dias, segundo informou o Consultor Jurídico.

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