Sérgio Mamberti em cena como o mordomo Eugênio, da novela Vale Tudo - Foto Divulgação
Sérgio Mamberti em cena como o mordomo Eugênio, da novela Vale Tudo - Foto Divulgação

Escrita em co-autoria com o jornalista Dirceu Alves Jr., Sérgio Mamberti: Senhor do Meu Tempo (Edições Sesc) é uma autobiografia generosa sobre a trajetória desse ator, diretor, autor e político brasileiro. Desde que estreou no palco, em 1961, com a peça Antígone America, debute também de Ruth Escobar e sob direção de Antônio Abujamra, Mamberti tornou-se um artista com mais de 80 montagens teatrais, quase 50 longas-metragens e 30 telenovelas em seu currículo. Dele, surgiram personagens imortalizados, como o mordomo Eugênio, da novela Vale Tudo, Doutor Victor do infanto-juvenil Castelo Rá-Tim-Bum, Vado da peça Pérola e o protagonista de Visitando o Sr. Green

Nascido em 22 de abril de 1939 na cidade de Santos, Mamberti é filho de Ítalo, um ex-revolucionário de 1932, e de Maria José, professora e arrimo familiar. O sobrenome vinha do avô, Paschoale Giuseppe Antonio Mamberti, que com sua esposa, Elisa Viani, ambos de Gênova, na Itália, decidiram morar no Brasil depois de tentarem se fixar na Argentina. O gosto pela arte veio de conhecer, ainda criança, artistas como Glenn Ford, Procópio Ferreira ou Dóris Monteiro, apresentados pelo pai, diretor social do Clube Internacional de Regatas nos anos 1940 e 1950.

Irmão de Cláudio Mamberti, também ator e já falecido, era cinéfilo quando jovem, o que o fez se aproximar de Patrícia Galvão, a Pagu, musa dos modernistas. A poeta foi uma das incentivadoras para que Sérgio Mamberti estudasse na célebre Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo. Na instituição e em teatros como o TBC, foi se aproximando de ícones das artes cênicas, como Ziembinski, Cacilda Becker, Cleyde Yáconis, Lélia Abramo, Oduvaldo Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Sérgio Cardoso e Eugênio Kusnet.

Na autobiografia, Mamberti frisa a sua bissexualidade e em boa parte de suas 376 páginas está presente a figura de Vivian, colega de EAD e a mãe de seus três filhos, Duda, Carlos e Fabricio. Relata ainda as viagens embaladas pelo fumo e pelo LSD, ou de como viveu a época da contracultura. As falas de Mamberti soam naturalizadas mesmo para assuntos tão delicados como a ditadura militar, sua iniciação a fórceps na política. Ou como quando descreve a vez que tocou na “xoxota” d

e Regina Duarte, no ensaio da peça Réveillon, numa tentativa de adotar o método de Stanislávski para fazer com que a atriz mergulhasse no personagem Janete. Hoje, admite que foi desrespeitoso.

Mamberti foi convidado por Luiz Inácio Lula da Silva, na campanha à prefeitura de Luiza Erundina, a se filiar ao PT, o que ocorreu em 1990. Em 2003, mudou-se para Brasília, onde ocupou funções centrais do então Ministério da Cultura, nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Sem seguir uma ordem cronológica, com capítulos que marcam pontos relevantes de sua vida, a autobiografia se mostra como um relevante relato da cultura de uma época. 

Sérgio Mamberti: Senhor do Meu Tempo. De Sérgio Mamberti. Edições Sesc, 376 págs., 98 reais.

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