O presidente da Fundação Cultural Palmares, Sergio Camargo, anunciou nesta quarta-feira que “revelará para a sociedade” uma lista de 300 livros que considera imorais que fazem parte do acervo da instituição. Um lote que ele considera “eivado de marxismo e perversão sexual”. Camargo emula assim um dos procedimentos célebres do nazismo quando criou sua catalogação do que seria “arte degenerada”, que fundamentou perseguição a artistas, curadores, museus e professores.

A lista de Camargo, que teve uma prévia fotográfica em sua página numa rede social (logo retirada, mas devidamente fotografada pelo Farofafá), contém na maioria clássicos consagrados no mundo todo. Entre eles, livros do Marquês de Sade (1740-1814), que passou a maior parte da vida sob perseguição política durante a Revolução Francesa, e diversos outros de sociologia de Karl Marx (como O Capital), do surrealista Benjamin Péret (Amor Sublime), do filósofo e historiador literário György Lukács.

Camargo não disse o que fará com os livros, mas certamente, pela inspiração de seu fanatismo de extrema-direita, tende a fazer o mesmo que fazia a burocracia estatal do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Ele diz que o acervo comprova o legado cultural de inúmeras gestões de esquerda na Fundação Palmares. Na verdade, comprova que houve intelectuais republicanos ali antes de sua lamentável passagem.

Curiosamente, Sérgio Camargo intensifica sua guerra cultural, mas não comentou a revogação da proteção ambiental dos quilombos brasileiros, ato que promoveu na surdina e foi revelado aqui ontem, terça.

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