A Cinemateca Brasileira, na Vila Mariana, em São Paulo, fechada desde julho do ano passado

Um ano após retomar as chaves da Cinemateca Brasileira, o governo lançou nesta quarta, 9, uma portaria interministerial na qual anuncia o processo de contratação de uma entidade privada sem fins lucrativos, uma Organização Social (OS), para assumir as atividades de guarda, preservação, documentação e difusão do acervo audiovisual da instituição, sediada na Vila Mariana, em São Paulo. O chamamento público deverá ser concluído em até seis meses, segundo o texto.

A portaria é assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo do Turismo, Gilson Machado, mas as regras de seleção da nova Organização Social estarão a cargo de Machado. Ao romper contrato com a antiga OS que a administrava, a Fundação Roquette Pinto, que tinha sido escolhida na gestão de Michel Temer, o governo de Jair Bolsonaro chegou a externar a intenção, na época, de “premiar” a antiga secretária Especial de Cultura, a atriz Regina Duarte, com sua presidência. Agora, fica praticamente impossível cumprir tal promessa.

O acervo da Cinemateca é o maior da América Latina, com 240 mil rolos de filme, 41 mil títulos diferentes e um milhão de itens. Guarda filmes como os das missões folclóricas de Mário de Andrade, de Claude-Lévi Strauss, filmes pioneiros de Humberto Mauro e Glauber Rocha, entre milhares de outros, muitos deles de outros países. Seu estado, com o progressivo descuidado dos últimos anos, começa a se tornar delicado, o que levou o Congresso a promover uma audiência pública em abril sobre o destino da instituição.

 

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