Mauro Gonçalves de Souza, novo diretor presidente substituto da Agência Nacional de Cinema

Embora pareça consolidada, já se visualiza um curioso jogo de bastidores na sucessão da Ancine, o que pode indicar que haverá surpresas num futuro próximo. Mauro Gonçalves de Souza, novo diretor presidente interino da agência (indicado para um mandato-tampão de apenas 5 meses), tem demonstrado possuir ideias próprias em relação ao cargo. Souza nomeou hoje novos servidores de sua confiança para a agência (com nenhuma experiência anterior na área, ressalte-se), com salários em torno de R$ 14 mil reais. Um deles, o advogado Miguel Ângelo Gonçalves Azevedo, é da mesma região de onde Souza é oriundo, a base de Cabo Frio (RJ), na qual o novo servidor manteve, até o ano passado, uma pousada (Vila Porto Hospedaria), e onde possui um escritório de advocacia. O outro nomeado para assessorar Mauro Gonçalves é Rodrigo Luiz de Moraes.

Ao mesmo tempo em que preenche posições com colaboradores próximos, Souza também “limpa” a área dos homens de confiança de gestões anteriores. Hoje também, ele exonerou Gustavo Rolla, que tinha sido assessor internacional do ex-diretor presidente da AncineChristian de Castro. Castro renunciou ao cargo e é réu na Justiça por improbidade e enriquecimento ilícito.

Essa movimentação toda soa exótica para um período tão curto de gestão, apenas cinco meses. Oficialmente, está previsto o retorno do ex-diretor interino, Alex Braga Muniz, em outubro, após sabatina no Senado Federal, audiência que já tem inclusive a relatoria destacada. Para não ficar em situação irregular na agência, Braga Muniz interrompeu sua interinidade para que Mauro Gonçalves de Souza assumisse – este último não foi nem sequer nomeado formalmente no Diário Oficial da União. Os outros dois integrantes da diretoria colegiada (Vinicius Clay e Edilásio Barra) que poderiam, em tese, assumir a agência, têm sua situação legal fragilizada por um jogo de recondução irregular que já dura um ano e meio. Pelo frisson nos bastidores, pode ser que o atual ocupante da presidência tenha outros planos em relação à locação do cargo.

Nos últimos tempos, a atividade da Ancine tem sido maior internamente do que em direção às suas funções externas. A agência  contratou, no último dia 1º de junho, um serviço de garçons, recepcionistas, secretárias, mensageiros e copeiras para seu escritório no Rio por quase R$ 5 milhões, pouco menos do que destinou para auxílio ao pequeno exibidor durante todo o ano de 2020 (R$ 8,5 milhões). Com a diferença que os pequenos exibidores (empresas com até 30 salas de cinema) foram beneficiados por uma linha de crédito e terão que devolver o dinheiro, um empréstimo realizado a título de socorro emergencial devido à pandemia.

As diretrizes culturais do governo Bolsonaro apontam para algumas prioridades. A primeira parece ser o objetivo claro de “passar a boiada”: fragilizar o regramento e o poder de fiscalização do Estado para facilitar a especulação imobiliária (objetivos que têm o Iphan como principal alvo). A segunda é atender à volúpia por cargos do chamado Centrão, o grupo político que tenta impedir que o presidente seja alvo de investigações ou oposição parlamentar no Congresso. A Ancine está no centro dessa segunda disposição.

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